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PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 26 (Português) do ITA 2017

Português · Português: Tema, ideia central e informações explícitas

Texto-base das questões 26 a 29 · Português

As questões de 26 a 29 referem-se ao Texto 2.

Texto 2: Vídeos falsos confundem o público e a imprensa
Por Jasper Jackson, tradução de Jo Amado.

Cerca de duas horas depois da divulgação dos atentados de terça-feira (22/03) em Bruxelas, apareceu um vídeo no YouTube, sob a alegação de que seriam imagens do circuito fechado de televisão (CCTV), mostrando uma explosão no aeroporto Zaventem, da cidade. As imagens rapidamente se espalharam pelas redes sociais e foram divulgadas por alguns dos principais sites de notícias. Depois desse, surgiu outro vídeo, supostamente mostrando uma explosão na estação de metrô Maelbeek, próxima ao Parlamento Europeu, e ainda um outro, alegando ser do aeroporto.

Entretanto, nenhum dos vídeos era o que alegava ser. Os três vídeos eram gravações de 2011, dois de um atentado ao aeroporto Domodedovo, de Moscou, e um de uma bomba que explodiu numa estação de metrô de Minsk, capital da Belarus.

As imagens distorcidas dos clipes do circuito fechado de televisão foram convertidas de cor em preto e branco, horizontalmente invertidas, novamente etiquetadas e postadas como se tivessem surgido dos acontecimentos do dia. Embora a conta do YouTube que compartilhou as imagens com falsos objetivos tenha sido rapidamente tirada do ar, outros veículos as reproduziram dizendo que eram de Bruxelas.

Os vídeos ilusórios são exemplos de um fenômeno que vem se tornando cada vez mais comum em quase todas as matérias importantes que tratam de acontecimentos violentos e que ocorrem rapidamente. Reportagens falsas ou ilusórias espalham-se rapidamente pelas redes sociais e são acessadas por organizações jornalísticas respeitáveis, confundindo ainda mais um quadro já incrivelmente confuso.

A disseminação e divulgação de falsas informações não têm nada de novo, mas a internet tornou mais fácil plantar matérias e provas falsas e ilusórias, que serão amplamente compartilhadas pelo Twitter e pelo Facebook.

Alastair Reid, editor administrativo do site First Draft, que é uma coalizão de organizações que se especializam em checar informações e conta com o apoio do Google, disse que parte do problema é que qualquer pessoa que publique em plataformas como o Facebook tem a capacidade de atingir uma audiência tão ampla quanto aquelas que são atingidas por uma organização jornalística. “Pode tratar-se de alguém tentando desviar propositalmente a pauta jornalística por motivos políticos, ou muitas vezes são apenas pessoas que querem os números, os cliques e os compartilhamentos porque querem fazer parte da conversa ou da validade da informação”, disse ele. “Eles não têm quaisquer padrões de ética, mas têm o mesmo tipo de distribuição.”

Nesse meio tempo, a rápida divulgação das notícias online e a concorrência com as redes sociais também aumentaram a pressão sobre as organizações jornalísticas para serem as primeiras a divulgar cada avanço, ao mesmo tempo em que eliminam alguns dos obstáculos que permitem informações equivocadas.

Uma página na web não só pode ser atualizada de maneira a eliminar qualquer vestígio de uma mensagem falsa, mas, quando muitas pessoas apenas se limitam a registrar qual o website em que estão lendo uma reportagem, a ameaça à reputação é significativamente menor que no jornal impresso. Em muitos casos, um fragmento de informação, uma fotografia ou um vídeo são simplesmente bons demais para checar.

Alastair Reid disse: “Agora talvez haja mais pressão junto a algumas organizações para agirem rapidamente, para clicar, para ser a primeira… E há, evidentemente, uma pressão comercial para ter aquele vídeo fantástico, aquela foto fantástica, para ser de maior interesse jornalístico, mais compartilhável e tudo isso pode se sobrepor ao desejo de ser certo.”

Adaptado de: http://observatoriodaimprensa.com.br/terrorismo/videos-falsos-confundem-o-publico-e-a-imprensa/.
(Publicado originalmente no jornal The Guardian em 23/3/2016. Acesso em 30/03/2016.)

De acordo com o texto,

  1. A
    a divulgação deliberada de informações e vídeos falsos pela internet é um comportamento antiético.
  2. B
    notícias veiculadas em redes sociais, como Facebook e Twitter, não merecem credibilidade por parte do leitor.
  3. C
    as adaptações feitas em fotos normalmente são grosseiras e, por isso, despertam a desconfiança dos leitores.
  4. D
    acontecimentos extremamente sérios são banalizados e propositalmente deturpados por organizações jornalísticas respeitáveis.
  5. E
    a concorrência acirrada pela audiência é a única responsável pela eventual divulgação de dados incorretos pela imprensa.
Escolha uma alternativa para conferir o gabarito.
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Resolução comentada

Cada alternativa precisa ser confrontada com o que o texto realmente afirma.

O texto conta que vídeos antigos, de 2011, foram manipulados (cor, inversão, nova etiqueta) e apresentados como imagens dos atentados de Bruxelas. Alastair Reid explica que alguns publicam isso para desviar a pauta por motivos políticos ou por cliques e compartilhamentos, e conclui: "Eles não têm quaisquer padrões de ética". Ou seja, quem divulga de propósito informações falsas age sem ética, isto é, de forma antiética.

Agora as demais:

  • (B) generaliza demais: o texto fala de conteúdos falsos específicos, não diz que tudo nas redes sociais é inconfiável.
  • (C) contradiz o texto: as adaptações enganaram até grandes sites de notícias, então não eram grosseiras.
  • (D) diz que as organizações jornalísticas deturpam de propósito, mas o texto afirma que elas foram enganadas e pressionadas pela rapidez, sem intenção.
  • (E) usa "única responsável", e o texto aponta também a facilidade de plantar falsidades na internet, a pressão comercial e a falta de checagem.

A única afirmação sustentada pelo texto é a da alternativa A.

Alternativa A.

Pegadinha: A alternativa E engana ao tomar a pressão por audiência, citada no texto, como causa exclusiva, quando o texto aponta outras causas.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • BGeneraliza: o texto trata de conteúdos falsos específicos, não afirma que todas as notícias das redes sejam desacreditáveis.
  • CContradiz o texto: as adaptações foram convincentes a ponto de enganar grandes sites de notícias.
  • DAs organizações jornalísticas foram enganadas e pressionadas, não deturparam propositalmente os fatos.
  • E"Única responsável" é exagero: o texto cita também a facilidade de plantar falsidades na internet e a pressão comercial.

Assunto: Tema, ideia central e informações explícitas.

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Fonte: ITA 2017 · Português. Prova oficial ↗