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PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 25 (Português) do ITA 2017

Português · Português: Termos da oração (sujeito, predicado, complementos e adjuntos)

Texto-base das questões 21 a 25 · Português

As questões de 21 a 25 referem-se ao Texto 1.

Texto 1: A mídia realmente tem o poder de manipular as pessoas?
Por Francisco Fernandes Ladeira

À primeira vista, a resposta para a pergunta que intitula este artigo parece simples e óbvia: sim, a mídia é um poderoso instrumento de manipulação. A ideia de que o frágil cidadão comum é impotente frente aos gigantescos e poderosos conglomerados da comunicação é bastante atrativa intelectualmente. Influentes nomes, como Adorno e Horkheimer, os primeiros pensadores a realizar análises mais sistemáticas sobre o tema, concluíram que os meios de comunicação em larga escala moldavam e direcionavam as opiniões de seus receptores. Segundo eles, o rádio torna todos os ouvintes iguais ao sujeitá-los, autoritariamente, aos idênticos programas das várias estações. No livro Televisão e Consciência de Classe, Sarah Chucid Da Viá afirma que o vídeo apresenta um conjunto de imagens trabalhadas, cuja apreensão é momentânea, de forma a persuadir rápida e transitoriamente o grande público. Por sua vez, o psicólogo social Gustav Le Bon considerava que, nas massas, o indivíduo deixava de ser ele próprio para ser um autômato sem vontade e os juízos aceitos pelas multidões seriam sempre impostos e nunca discutidos. Assim, fomentou-se a concepção de que a mídia seria capaz de manipular incondicionalmente uma audiência submissa, passiva e acrítica.

Todavia, como bons cidadãos céticos, devemos duvidar (ou ao menos manter certa ressalva) de proposições imediatistas e aparentemente fáceis. As relações entre mídia e público são demasiadamente complexas, vão muito além de uma simples análise behaviorista de estímulo/resposta. As mensagens transmitidas pelos grandes veículos de comunicação não são recebidas automaticamente e da mesma maneira por todos os indivíduos. Na maioria das vezes, o discurso midiático perde seu significado original na controversa relação emissor/receptor. Cada indivíduo está envolto em uma “bolha ideológica”, apanágio de seu próprio processo de individuação, que condiciona sua maneira de interpretar e agir sobre o mundo. Todos nós, ao entramos em contato com o mundo exterior, construímos representações sobre a realidade. Cada um de nós forma juízos de valor a respeito dos vários âmbitos do real, seus personagens, acontecimentos e fenômenos e, consequentemente, acreditamos que esses juízos correspondem à “verdade”. [...]

[...] A mídia é apenas um, entre vários quadros ou grupos de referência, aos quais um indivíduo recorre como argumento para formular suas opiniões. Nesse sentido, competem com os veículos de comunicação como quadros ou grupos de referência fatores subjetivos/psicológicos (história familiar, trajetória pessoal, predisposição intelectual), o contexto social (renda, sexo, idade, grau de instrução, etnia, religião) e o ambiente informacional (associação comunitária, trabalho, igreja). “Os vários tipos de receptor situam-se numa complexa rede de referências em que a comunicação interpessoal e a midiática se completam e modificam”, afirmou a cientista social Alessandra Aldé em seu livro A construção da política: democracia, cidadania e meios de comunicação de massa. Evidentemente, o peso de cada quadro de referência tende a variar de acordo com a realidade individual. Seguindo essa linha de raciocínio, no original estudo Muito Além do Jardim Botânico, Carlos Eduardo Lins da Silva constatou como telespectadores do Jornal Nacional acionam seus mecanismos de defesa, individuais ou coletivos, para filtrar as informações veiculadas, traduzindo-as segundo seus próprios valores. “A síntese e as conclusões que um telespectador vai realizar depois de assistir a um telejornal não podem ser antecipadas por ninguém; nem por quem produziu o telejornal, nem por quem assistiu ao mesmo tempo que aquele telespectador”, inferiu Carlos Eduardo.

Adaptado de: http://observatoriodaimprensa.com.br/imprensa-em-questao/a-midia-realmente-tem-o-poder-de-manipular-as-pessoas/.
(Publicado em 14/04/2015, na edição 846. Acesso em 13/07/2016.)

Marque a alternativa em que o verbo destacado está classificado corretamente quanto à transitividade.

VTD – verbo transitivo direto    VTI – verbo transitivo indireto    VI – verbo intransitivo

  1. A
    [...]devemos duvidar (ou ao menos manter certa ressalva) de proposições imediatistas e aparentemente fáceis. – VTD (linhas 14-15)
  2. B
    Na maioria das vezes, o discurso midiático perde seu significado original na controversa relação emissor/receptor. – VTI (linhas 18-19)
  3. C
    A mídia é apenas um, entre vários quadros ou grupos de referência, aos quais um indivíduo recorre como argumento para formular suas opiniões. – VTI (linhas 25-26)
  4. D
    Nesse sentido, competem com os veículos de comunicação como quadros ou grupos de referência fatores subjetivos/psicológicos [...] – VTD (linhas 26-27).
  5. E
    Evidentemente, o peso de cada quadro de referência tende a variar de acordo com a realidade individual. – VI (linhas 32-33)
Escolha uma alternativa para conferir o gabarito.
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Resolução comentada

Vale lembrar a regra: o verbo é transitivo direto quando pede complemento sem preposição, transitivo indireto quando pede complemento com preposição, e intransitivo quando não precisa de complemento. Vamos conferir cada alternativa.

  1. Duvidar de proposições: o complemento vem com a preposição "de", então o verbo é VTI. Classificá-lo como VTD está errado.
  2. Perde seu significado: "seu significado original" é objeto sem preposição, então é VTD. Chamar de VTI está errado.
  3. Recorre... aos quais: quem recorre, recorre a algo ou alguém. O pronome "aos quais" retoma "quadros ou grupos de referência" e traz a preposição "a". Logo, é VTI. A classificação está correta.
  4. Competem com os veículos: aqui "competir" significa disputar, e o complemento tem a preposição "com", então é VTI. O sujeito é "fatores subjetivos", e não há objeto direto. Classificar como VTD está errado.
  5. Tende a variar: "tender" pede a preposição "a" e, junto com o infinitivo, forma o complemento. Portanto é VTI, e não VI.

Só a alternativa C traz a classificação correta.

Alternativa C.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • A"Duvidar de" exige preposição, logo é VTI, não VTD.
  • B"Perde seu significado" tem objeto direto, sem preposição: é VTD, não VTI.
  • D"Competem com os veículos" tem complemento preposicionado, portanto é VTI, não VTD.
  • E"Tende a variar" tem complemento regido pela preposição "a": é VTI, não VI.

Assunto: Termos da oração (sujeito, predicado, complementos e adjuntos).

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Fonte: ITA 2017 · Português. Prova oficial ↗