PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 40 (Português) do ITA 2012
Considere o poema ao lado, de Ana Cristina César (1952-1983).
Fisionomia
não é mentira
é outra
a dor que dói
em mim
é um projeto
de passeio
em círculo
um malogro
do objeto
em foco
a intensidade
de luz
de tarde
no jardim
é outra
a dor que dói
O título do poema está relacionado ao eu-lírico por um conflito de natureza
- Aamorosa.
- Bsocial.
- Cfísica.
- Dexistencial.
- Eimaginária.
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Resolução comentada
O título, "Fisionomia", remete ao conjunto de traços do rosto, isto é, àquilo que se mostra por fora e deveria expressar quem a pessoa é. O poema trabalha justamente o descompasso entre essa aparência e o que se sente por dentro.
Acompanhe os versos:
-
"não é mentira / é outra / a dor que dói em mim": o eu-lírico diz que a dor sentida não é falsa, mas é diferente da dor que se mostra ou se nomeia. Há uma distância entre o que é visto e o que é vivido.
-
"projeto de passeio em círculo", "malogro do objeto em foco": o passeio em círculo não leva a lugar nenhum, e o objeto em foco fracassa. Isso indica busca frustrada e falta de rumo, sem referência a um amor, a uma classe social ou a um sintoma do corpo.
-
"a intensidade de luz de tarde no jardim é outra": até a percepção do mundo muda, porque o olhar do eu-lírico está alterado por essa dor.
Não há parceiro amoroso, nem questão de classe, nem doença física, nem fantasia. O que existe é um conflito do sujeito com a própria identidade (a fisionomia que não coincide com o que ele sente), sua angústia e seu sentido de estar no mundo. Esse é um conflito existencial.
Alternativa D.
Pegadinha: A alternativa C engana ao tomar "dor que dói" e "fisionomia" ao pé da letra, como dor e aspecto do corpo.
Por que as outras alternativas estão erradas
- ANão há nenhuma referência a outra pessoa ou a relação amorosa no poema.
- BNão aparece nenhum elemento de classe, sociedade ou relações coletivas.
- CConfunde "dor que dói" com dor corporal; a dor é de ordem subjetiva, não um sintoma físico.
- EA dor é dita "não é mentira", ou seja, real para o eu-lírico, não imaginada.
Assunto: Poesia contemporânea.
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Fonte: ITA 2012 · Português. Prova oficial ↗