Correção FUVEST 2027 · 1ª faseAcompanhe a resolução de cada questão da 1ª fase, ao vivoAcompanhar

PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 29 (Português) do ITA 2012

Português · Português: Intertextualidade e comparação entre textos

Texto-base das questões 21 a 29 · Português

As questões de 21 a 29 referem-se ao seguinte texto:

Texto 1

Moradores de Higienópolis admitiram ao jornal Folha de S. Paulo que a abertura de uma estação de metrô na avenida Angélica traria “gente diferenciada” ao bairro. Não é difícil imaginar que alguns vizinhos do Morumbi compartilhem esse medo e prefiram o isolamento garantido com a inexistência de transporte público de massa por ali.

Mas à parte o gosto exacerbado dos paulistanos por levantar muros, erguer fortalezas e se refugiar em ambientes distantes do Brasil real, o poder público não fez a sua parte em desmentir que a chegada do transporte de massas não degrade a paisagem urbana.

Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá, na Colômbia, e grande especialista em transporte coletivo, diz que não basta criar corredores de ônibus bem asfaltados e servidos por diversas linhas. Abrigos confortáveis, boa iluminação, calçamento, limpeza e paisagismo que circundam estações de metrô ou pontos de ônibus precisam mostrar o status que o transporte público tem em uma determinada cidade.

Se no entorno do ponto de ônibus, a calçada está esburacada, há sujeira e a escuridão afugenta pessoas à noite, é normal que moradores não queiram a chegada do transporte de massa.

A instalação de linhas de monotrilho ou de corredores de ônibus precisa vitaminar uma área, não destruí-la.

Quando as grades da Nove de Julho foram retiradas, a avenida ficou menos tétrica, quase bonita. Quando o corredor da Rebouças fez pontos muito modestos, que acumulam diversos ônibus sem dar vazão a desembarques, a imagem do engarrafamento e da bagunça vira um desastre de relações públicas.

Em Istambul, monotrilhos foram instalados no nível da rua, como os “trams” das cidades alemãs e suíças. Mesmo em uma cidade de 16 milhões de habitantes na Turquia, país emergente como o Brasil, houve cuidado com os abrigos feitos de vidro, com os bancos caprichados – em formato de livro – e com a iluminação. Restou menos espaço para os carros porque a idéia ali era tentar convencer na marra os motoristas a deixarem mais seus carros em casa e usarem o transporte público.

Se os monotrilhos do Morumbi, de fato, se parecerem com um Minhocão*, o Godzilla do centro de São Paulo, os moradores deveriam protestar, pedindo melhorias no projeto, detalhamento dos materiais, condições e impacto dos trilhos na paisagem urbana. Se forem como os antigos bondes, ótimo.

Mas se os moradores simplesmente recusarem qualquer ampliação do transporte público, que beneficiará diretamente os milhares de prestadores de serviço que precisam trabalhar na região do Morumbi, vai ser difícil acreditar que o problema deles não seja a gente diferenciada que precisa circular por São Paulo. (Raul Justes Lores. Folha de S. Paulo, 07/10/2010. Adaptado.)

(*) Elevado Presidente Costa e Silva, ou Minhocão, é uma via expressa que liga o Centro à Zona Oeste da cidade de São Paulo.

Considere as correlações entre o Texto 1 e a tirinha expostas abaixo.

Tirinha de Novais dividida em dois quadros. No primeiro, dois homens vestidos formalmente com terno e cartola conversam dentro de um veículo; um deles diz: "O FILME QUE MAIS GOSTO É MATRIX!". No segundo quadro, vê-se o automóvel de luxo azul trafegando em meio a pessoas pobres e construções simples; o homem continua: "ADORO O CONCEITO DE QUE TUDO QUE NOS CERCA É VIRTUAL, FRUTO DA NOSSA IMAGINAÇÃO!!".

http://novacharges.wordpress.com

I. O personagem que fala tem uma postura semelhante à de parte de moradores de Higienópolis em relação às pessoas que representariam a “gente diferenciada”.
II. Os personagens que se encontram fora do carro no segundo quadro corresponderiam à “gente diferenciada” a que se refere parte dos moradores de Higienópolis.
III. No segundo quadro, o carro seria comparável aos muros e fortalezas que separam parte dos moradores de Higienópolis do “Brasil real”.

Estão corretas:

  1. A
    I e II, apenas.
  2. B
    I e III, apenas.
  3. C
    II, apenas.
  4. D
    II e III, apenas.
  5. E
    todas.
Escolha uma alternativa para conferir o gabarito.
Reportar erro na questão
O que está errado?
Sem cadastro: não guardamos quem enviou.
Resolução comentada

A tirinha mostra dois homens ricos dentro de uma limusine, passando por uma comunidade pobre. Um deles diz adorar a ideia de que tudo que os cerca é "virtual, fruto da nossa imaginação". Ele trata a realidade da pobreza como se não existisse. Vamos conferir cada item.

I. Os moradores de Higienópolis rejeitam o metrô para não conviver com a "gente diferenciada". O personagem, por sua vez, nega a existência dos pobres que o cercam. As duas posturas são de afastamento e desprezo em relação a quem é socialmente diferente. O item está correto.

II. As pessoas fora do carro, pobres e simples, são justamente os "diferentes" que a elite quer manter distantes. Correspondem à "gente diferenciada" do texto. O item está correto.

III. O texto critica o gosto por "levantar muros, erguer fortalezas e se refugiar em ambientes distantes do Brasil real". A limusine fechada é uma fortaleza móvel: isola os ricos do mundo exterior, que eles tratam como irreal. A comparação é válida. O item está correto.

Como os três itens estão corretos:

Alternativa E.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AOmite o item III, que também é correto: o carro funciona como muro/fortaleza de isolamento.
  • BOmite o item II, mas os pobres fora do carro equivalem à "gente diferenciada".
  • CConsidera só o item II e descarta I e III, que também são válidos.
  • DDescarta o item I, mas a postura do personagem é semelhante à dos moradores.

Assuntos: Intertextualidade e comparação entre textos, Charge, tirinha, cartum e HQ.

Reportar erro na resolução
O que está errado?
Sem cadastro: não guardamos quem enviou.
Ver como caiu na prova Questão 29 no caderno Português do ITA 2012

Fonte: ITA 2012 · Português. Prova oficial ↗