Questão 52 da FUVEST 2026

1ª fase

Em 19 de setembro de 2023, o Azerbaijão lançou uma ofensiva contra a autoproclamada República de Nagorno-Karabakh (RAHK ou Artsakh), um território povoado por armênios sob bloqueio desde dezembro de 2022. Em 28 de setembro de 2023, a RAHK anunciou sua dissolução, que entrou em vigor a partir de 1o de janeiro de 2024, após mais de três décadas de existência não reconhecida. Em agosto de 2025, o governo norte americano propôs que a rota de transporte estratégica turco-azerbaijana seja controlada pelos EUA, por 99 anos. Essa proposta ainda está em curso, devido à oposição do Irã.

Mapa geopolítico do Cáucaso intitulado "Nagorno-Karabakh: Reconfiguração Geopolítica do Cáucaso (2023)", com destaque para Armênia, Azerbaijão, Geórgia, Turquia, Irã e Rússia, apresentando rotas de gasodutos e oleodutos, ferrovias, bases militares e áreas de conflito territorial.

Reconfiguração geopolítica do Cáucaso (2023). Atlas Géopolitique Mondial, 2025. Adaptado.

Com base no texto, na legenda do mapa e em seus conhecimentos, assinale a alternativa que explica os motivos da ofensiva do Azerbaijão contra os armênios.

  1. A
    O território armênio invadido pelo Azerbaijão é estratégico para o comércio de gás e petróleo com a Turquia e a União Europeia (UE) e há um projeto estratégico de transporte, no sul do território invadido, que permitirá uma rota de petróleo, gás e fluxo comercial.
  2. B
    O território no sul da Armênia é de interesse do Irã devido às reservas de hidrocarbonetos, causando vários conflitos com o Azerbaijão, que, ao defender a Armênia, cria enclaves de proteção territorial, resguardando as rotas comerciais até Ierevan, a capital da Armênia.
  3. C
    As bases militares de vários países estão concentradas no território armênio, que é disputado pela Turquia, Estados Unidos da América e Rússia, sendo este último interessado na rota Nagorno-Karabakh, por ser estratégica ao escoamento de sua produção de gás e petróleo para a UE.
  4. D
    O conflito entre Armênia e Azerbaijão força a Turquia a ter neutralidade e, ao mesmo tempo, permite o funcionamento dos gasodutos (TANAP) e oleodutos (BTC), a partir do controle que ela tem das rotas, dos pontos de passagem fechados e das bases militares.
  5. E
    No conflito entre Armênia e Azerbaijão, o corredor de transporte estratégico ao sul do Azerbaijão, associando a ferrovia, escoa toda a sua produção de petróleo, gás e fluxo comercial, conectando o território de Nagorno-Karabakh à Turquia e à área ocupada pela Armênia.
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Resolução comentada

O mapa mostra que o Azerbaijão está dividido em duas partes: o território principal, a leste, e a exclave de Naquichevão, a oeste, separada pela Armênia. O Azerbaijão quer ligar as duas partes e, por meio de Naquichevão, chegar à Turquia, sua aliada.

Para isso existe o projeto de corredor de transporte estratégico turco-azerbaijano (linha laranja na legenda). Ele corre no sul da Armênia, junto à fronteira com o Irã, e liga Naquichevão ao território azerbaijano principal. Nesse trecho há ferrovia fechada, hoje sem uso. Reabri-la daria ao Azerbaijão uma rota contínua para escoar petróleo, gás e mercadorias até a Turquia e, daí, à União Europeia.

O território invadido em setembro de 2023 (hachura) fica justamente no sul, na região de Lachin e no entorno do corredor. Controlá-lo atende a esse objetivo e rompe a rota armênia que ligava Nagorno-Karabakh à Armênia e ao Irã (linha verde).

As alternativas, uma a uma:

  1. A reúne os elementos corretos: território estratégico, projeto de transporte ao sul da área invadida e rota de petróleo, gás e comércio com a Turquia e a UE.
  2. As demais trocam os papéis: fazem o Azerbaijão defender a Armênia (B), tratam as bases como concentradas na Armênia (C), dão à Turquia controle das rotas (D) ou dizem que o corredor escoa toda a produção azerbaijana (E).

Alternativa A.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • BDiz que o Azerbaijão defende a Armênia e que o Irã tem interesse em hidrocarbonetos ali; na verdade o Azerbaijão é o agressor e o Irã se opõe ao corredor.
  • CAs bases no mapa estão espalhadas pela região, não concentradas na Armênia, e a Rússia não tem rota de escoamento pelo território disputado.
  • DAtribui à Turquia neutralidade e controle das rotas e bases, o que não aparece no mapa; a Turquia é aliada do Azerbaijão.
  • EAfirma que o corredor escoa toda a produção azerbaijana; o mapa mostra que o escoamento principal é por gasodutos e oleodutos via Geórgia.

Assuntos: geopolítica do Cáucaso, Nagorno-Karabakh, leitura de mapa.

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