Questão 50 da FUVEST 2026
Entre os deveres de todo devoto do Islã está a obrigatoriedade de pelo menos uma vez na vida fazer uma peregrinação a Meca, cidade sagrada na qual Maomé primeiro pregou a religião. Nem todos podiam fazer a peregrinação, mas muitos faziam, geralmente juntando-se às caravanas que percorriam o Saara, chegando a Meca a partir do Cairo. Essa circulação de pessoas, que entravam em contato com os lugares nos quais era intenso o ensino do Islã, criava vínculos entre todo o mundo muçulmano do Sael, norte da África e península Arábica. Os ensinamentos islâmicos eram ainda reforçados pela ação dos ulemás, estudiosos do Alcorão que se assentavam em algumas cidades ou passavam períodos em diferentes lugares. As escolas corânicas, nas quais os meninos liam e decoravam o Alcorão, também eram lugares de atuação dos ulemás, que mantinham vivo o ensino do islã.
Marina de Mello e Souza. África e Brasil africano. São Paulo: Ática, 2007.
Ao tratar do islamismo na Idade Média, o texto caracteriza
- Aa transformação abrupta nas práticas e hábitos religiosos dos fiéis e o autodidatismo do ensino religioso na alfabetização de adultos e crianças.
- Bo fanatismo dos líderes religiosos e a exigência contínua de obediência e subserviência dos fiéis que desejavam alcançar a salvação.
- Ca igualdade de gêneros na formação religiosa de crianças e adultos e a ausência de preocupação com a unidade institucional da religião.
- Do caráter educativo e doutrinário das peregrinações dos fiéis e a homogeneidade da origem étnico-racial do conjunto dos fiéis.
- Ea disposição de ampliar o conhecimento de textos religiosos pelos fiéis e a formação de redes de relações entre povos e grupos sociais distintos.
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Resolução comentada
O texto descreve dois mecanismos que mantinham o islã vivo e coeso na Idade Média: a circulação de pessoas e a ação dos ulemás.
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Peregrinação e caravanas: os fiéis cruzavam o Saara até Meca, passando por lugares de intenso ensino islâmico. Essa circulação "criava vínculos entre todo o mundo muçulmano do Sael, norte da África e península Arábica". Ou seja, formava redes de relações entre povos e regiões diferentes.
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Ulemás e escolas corânicas: estudiosos do Alcorão se fixavam em cidades ou viajavam, e nas escolas os meninos liam e decoravam o texto. Isso mostra o esforço de difundir e aprofundar o conhecimento dos textos religiosos entre os fiéis.
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Conferindo as alternativas: o texto não fala de mudança abrupta nem de autodidatismo, pois há mestres. Também não fala de fanatismo ou subserviência, de igualdade de gênero (só menciona meninos) ou de homogeneidade étnica (o texto fala de povos diversos).
Só a alternativa E reúne as duas ideias do texto: ampliação do conhecimento religioso e formação de redes entre povos e grupos distintos.
Alternativa E.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AO texto não fala de transformação abrupta e o ensino não era autodidata, pois dependia de ulemás e escolas.
- BNada no texto indica fanatismo ou subserviência; ele trata de ensino e circulação.
- CSó menciona meninos nas escolas, sem igualdade de gênero, e nada diz sobre unidade institucional.
- DAs peregrinações criavam vínculos, mas o texto indica povos diversos, não homogeneidade étnico-racial.
Assuntos: islamismo na Idade Média, interpretação de texto, África islâmica.
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