Questão 85 da FUVEST 2025

1ª fase

“Se a derrama for lançada,
há levante, com certeza.
Corre-se por essas ruas?
Corta-se alguma cabeça?
Do cimo de alguma escada,
profere-se alguma arenga?
Que bandeira se desdobra?
Com que figura ou legenda?
Coisas da Maçonaria,
do Paganismo ou da Igreja?
A Santíssima Trindade?
Um gênio a quebrar algemas?
Atrás de portas fechadas,
à luz de velas acesas,
entre sigilo e espionagem,
acontece a Inconfidência.”

Os versos de Cecília Meireles, no Romanceiro da Inconfidência, remetem

  1. A
    à insurreição promovida por maçons e reinóis, adeptos do iluminismo, contra a cobrança do quinto real sobre a exploração de diamantes na Capitania de Minas Gerais.
  2. B
    à possibilidade de sublevação motivada pela defesa da liberdade, por indivíduos de diferentes setores de Minas Gerais, ante a ameaça de cobrança de impostos metropolitanos.
  3. C
    à disputa entre católicos apoiadores do recolhimento do dízimo nas Minas Gerais e republicanos defensores da suspensão de impostos cobrados pelo Estado e pela Igreja.
  4. D
    ao movimento de setores reacionários da sociedade mineira, responsáveis por conspirar contra os idealizadores da Conjuração e denunciar os seus planos de revolução.
  5. E
    à trapaça e delação, que fizeram parte da Conjuração e ocorreram em razão das discrepâncias ideológicas dos denunciantes em relação aos rebelados.
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Resolução comentada

Os versos de Cecília Meireles tratam da Inconfidência Mineira (1789). A derrama era a cobrança forçada dos impostos atrasados, em especial o quinto do ouro. Ela seria lançada quando a Coroa portuguesa constatasse que a arrecadação anual não atingia as 100 arrobas exigidas.

O poema trabalha com a possibilidade: "Se a derrama for lançada, há levante, com certeza." Ainda não há revolta na rua. Depois vêm perguntas sobre como ela seria: haveria correria, cabeças cortadas, arengas, bandeira e legenda? Os símbolos citados (Maçonaria, paganismo, Igreja, Santíssima Trindade, o gênio que quebra algemas) sugerem ideais de liberdade de origens variadas, ligados ao Iluminismo.

Na última estrofe, a conspiração acontece "atrás de portas fechadas, à luz de velas", entre "sigilo e espionagem". Foi um movimento planejado em segredo, sem confronto aberto.

Assim, os versos remetem a uma sublevação em preparo, motivada pela liberdade e pela ameaça de cobrança de impostos metropolitanos. Os conjurados eram de setores diversos: mineradores, padres, militares, poetas e magistrados.

Conferindo as alternativas: a (A) fala em insurreição já promovida, mas ela não ocorreu. A (C) inventa disputa entre católicos e republicanos. A (D) e a (E) enfatizam a delação, que o poema só sugere ao falar de espionagem.

Alternativa B.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • ATrata a insurreição como fato consumado e a limita a maçons e reinóis, além de citar o quinto sobre diamantes; o poema fala de levante hipotético e de derrama.
  • CInventa uma disputa entre católicos e republicanos, que não aparece no poema.
  • DFoca nos reacionários que denunciam, mas o poema descreve a conspiração dos inconfidentes.
  • EAtribui a delação a discrepâncias ideológicas, tema ausente dos versos, que descrevem o sigilo da conspiração.

Assuntos: inconfidência mineira, derrama e tributos coloniais, interpretação de poema.

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