Questão 43 da FUVEST 2025

1ª fase

Carlos Drummond de Andrade foi o criador de uma obra lírica que, ao mesmo tempo, se aproxima e se afasta do Modernismo de 1922, propondo, a partir de traços desse movimento, uma poética original. Com base no exposto, em Alguma poesia (1930),

  1. A
    os aspectos prosaicos da linguagem modernista ganham expressão lírica a partir de um sujeito poético que repropõe, em versos livres, a nostalgia romântica da infância idealizada.
  2. B
    o sujeito poético incorpora, sob a perspectiva de uma lírica de raiz subjetiva, vários procedimentos estilísticos das vanguardas modernistas, em especial a escrita automática e o surrealismo.
  3. C
    a tópica literária do desconcerto do mundo ganha uma reconfiguração moderna, a partir de um sujeito poético que, mais do que revelar um mundo às avessas, focaliza o seu desajuste frente à realidade.
  4. D
    o nacionalismo literário, tão típico da revisão empreendida pela primeira geração modernista sobre a realidade brasileira, apresenta-se como eixo temático de cunho ufanista.
  5. E
    a paisagem mineira, no espaço literário, é configurada pelo sujeito poético como ambiente bucólico e refúgio privilegiado para os seus desajustes frente ao “vasto mundo”.
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Resolução comentada

Alguma poesia (1930) traz poemas como "Poema de sete faces", "No meio do caminho", "Cidadezinha qualquer" e "Sentimental". O traço modernista está no verso livre, no humor, na linguagem coloquial e na cena cotidiana. O que faz de Drummond um poeta original é o sujeito gauche, o "anjo torto" que se sente deslocado, tímido e desajustado diante do mundo.

No "Poema de sete faces", o eu lírico diz: "Mundo mundo vasto mundo, / se eu me chamasse Raimundo / seria uma rima, não seria uma solução". Ou seja, a questão não é um mundo virado do avesso, como no desconcerto camoniano, mas o desencaixe do indivíduo diante da realidade.

Conferindo as alternativas:

  1. A (nostalgia romântica idealizada) não confere. A infância aparece com ironia e sem idealização, como em "Infância".
  2. B (escrita automática e surrealismo) não confere. Esses recursos não predominam em Drummond, que é reflexivo e irônico.
  3. D (nacionalismo ufanista) não confere. Ele trata o país com ironia e crítica, sem ufanismo.
  4. E (Minas como refúgio bucólico) não confere. A cidade pequena aparece monótona e sufocante, como em "Cidadezinha qualquer", sem funcionar como refúgio.
  5. C confere. O tema clássico do desconcerto do mundo é reconfigurado, e o foco passa a ser o desajuste do sujeito diante da realidade.

Alternativa C.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AA infância em Drummond é tratada com ironia e sem idealização romântica.
  • BEscrita automática e surrealismo não são procedimentos centrais em Alguma poesia.
  • DO tratamento do país é irônico e crítico, sem ufanismo.
  • EA cidade mineira é monótona e opressiva, não um refúgio bucólico.

Assuntos: Carlos Drummond de Andrade, Alguma poesia, Modernismo brasileiro.

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