Questão 34 da FUVEST 2025

1ª fase

“São os ratos!... Vai escutar com atenção, a respiração meio parada. Hão de ser muitos: há várias fontes daquele guinchinho, e de quando em quando, no forro, em vários pontos, o rufar...

A casa está cheia de ratos...”

Dyonélio Machado. Os ratos.

A obra Os ratos (1935), de Dyonélio Machado, narra o dia em que Naziazeno saiu pela cidade de Porto Alegre no intuito de conseguir dinheiro para pagar a conta do leiteiro. Os animais que dão título à narrativa apenas aparecem em seus últimos capítulos e ocupam o tempo reservado para o descanso do protagonista. É possível, então, afirmar:

  1. A
    Naziazeno, inconformado com sua condição de devedor, perambula pela cidade, encontrando refúgio junto aos ratos que o acolhem.
  2. B
    Os ratos são os credores de Naziazeno zoomorfizados, que se encontram à espreita para a cobrança de outras dívidas.
  3. C
    Os “guinchinhos”, que ressoam nos ouvidos de Naziazeno, são o eco de seu dia de perambulação, como se lembrassem os obstáculos que venceu.
  4. D
    Os ruídos dos roedores mostram que Naziazeno, ao pagar a sua dívida, esquece os obstáculos que venceu.
  5. E
    O contraste entre o repouso de Naziazeno e o aparecimento dos roedores denuncia a permanência da sua situação de penúria social e financeira.
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Resolução comentada

Em Os ratos, Naziazeno passa o dia em busca de dinheiro para quitar a dívida com o leiteiro. No fim ele consegue o valor, mas a narrativa não fecha com alívio: quando deveria descansar, ele ouve os ratos no forro, e a casa "está cheia" deles.

É isso que a questão pede para interpretar.

  1. O descanso é o momento em que se esperaria a tranquilidade, depois da luta do dia.
  2. Os ratos invadem justamente esse momento: os guinchos e o rufar no forro são ameaça e degradação, e mostram uma casa infestada, sinal de pobreza.
  3. Logo, o contraste entre repouso e roedores indica que a penúria continua. A dívida do dia foi paga, mas a condição de miséria e de instabilidade do funcionário pobre permanece. Amanhã haverá outra dívida e outra perambulação.

As demais alternativas erram por atribuir aos ratos uma função que o texto não sustenta: acolhimento, alegoria direta de credores, lembrança das vitórias do dia ou esquecimento dos obstáculos. Todas ignoram o efeito de perturbação e de precariedade que os animais causam.

Alternativa E.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AOs ratos não acolhem Naziazeno; são presença incômoda e ameaçadora, não refúgio.
  • BReduz os ratos a credores zoomorfizados, leitura alegórica direta que o texto não indica.
  • CVê nos guinchos uma lembrança de obstáculos vencidos, sentido positivo que não corresponde ao clima de ameaça.
  • DDiz que ele esquece os obstáculos ao pagar a dívida, mas os ratos revelam que a precariedade persiste.

Assuntos: Os ratos, Dyonélio Machado, romance de 1930.

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