Questão 45 da FUVEST 2024
“Em uma onda sem precedentes de medo, confusão e pânico, hoje quase 13 milhões de ações mudaram de mãos na Bolsa de Valores de Nova York. Corretores atordoados atravessaram um mar de papel segurando ordens de investidores assustados para ‘vender a qualquer preço’.”
“Wall Street cai”. The Guardian (Londres), 24/10/1929, p.1.
“O mercado esteve ontem numa situação de verdadeiro pânico. Em São Paulo pedem-se a moratória e a emissão de papel-moeda. O presidente da República receberá hoje uma comissão do comércio de Santos.”
“A crise do café”. Correio da Manhã (Rio de Janeiro), 29/10/1929, p.1.
Os excertos, extraídos de matérias jornalísticas publicadas à época, relatam reações ante a Crise de 1929. Essa crise
- Aatingiu as atividades agrícolas, incentivou a mecanização do processo produtivo e a absorção dos trabalhadores pelo setor industrial.
- Bafetou as bases do liberalismo econômico, obrigando a intervenção do Estado por meio de regulações e investimentos.
- Cimpulsionou a indústria do entretenimento, responsável por forjar comportamentos que se opunham ao pessimismo.
- Dfavoreceu a substituição do dólar pela libra esterlina enquanto moeda empregada no comércio internacional.
- Econtribuiu para o desenvolvimento industrial com a substituição de importações e a ampliação do crédito para investimentos.
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Resolução comentada
Os textos mostram o pânico na Bolsa de Nova York e o pedido de moratória e de emissão de papel-moeda no Brasil. Isso indica uma crise do capitalismo liberal, em que o mercado, sozinho, não se autorregulou. Vamos conferir as alternativas.
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Antes de 1929, a teoria liberal defendia que o mercado se ajustaria sozinho, sem intervenção do Estado (laissez-faire). A queda da Bolsa, a superprodução, a quebra de bancos e o desemprego em massa mostraram que essa confiança era falha.
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A resposta dos governos foi intervir. Nos EUA, o New Deal de Roosevelt criou regulação financeira, obras públicas, seguro-desemprego e apoio à agricultura. No Brasil, o governo interveio comprando e queimando café para sustentar os preços. Esse é o ponto central: o Estado passou a regular e a investir.
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As demais alternativas não se sustentam. A crise não gerou absorção de trabalhadores pela indústria, e sim desemprego. O dólar não foi substituído pela libra, pois o dólar ganhou importância com o declínio britânico. A substituição de importações no Brasil foi em parte consequência, mas não é o que os excertos tratam, e o crédito se retraiu na crise.
Portanto, a crise abalou as bases do liberalismo econômico e levou à intervenção estatal.
Alternativa B.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AA crise gerou desemprego, e não absorção de trabalhadores pela indústria nem mecanização incentivada.
- CO entretenimento de massa cresceu, mas não foi o efeito central da crise, e os textos tratam de pânico financeiro.
- DA libra perdeu espaço para o dólar, e não o contrário.
- EA substituição de importações foi efeito indireto no Brasil, mas o crédito encolheu, e a alternativa não explica a crise como fato global.
Assuntos: crise de 1929, liberalismo econômico, New Deal.
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