Questão 44 da FUVEST 2024

1ª fase

“Industrializar é uma condição de vida, é uma absoluta e imperiosa necessidade, é mesmo um dever de que já não está ao nosso alcance declinar. Nem que o quiséssemos, não poderíamos sobreviver conservando-nos nação pastoril e agrícola, no velho estilo, exportando café e umas poucas matérias-primas [...] Industrializar um país não é uma obra mágica que possa ser feita sem preparo, ao simples sopro de uma aspiração. É necessário que exista uma mentalidade industrial, um estado de espírito propício ao desenvolvimento, é necessário que existam gerações preparadas para a ação.”

OLIVEIRA, Juscelino Kubitschek de. Industrialização: batalha pela própria sobrevivência da nacionalidade. São Paulo: Serviço de Publicações da Federação e Centro das Indústrias do Estado de S. Paulo, 1957. p.9-10.

A “mentalidade industrial”, proposta pelo então presidente Juscelino Kubitschek, concretiza-se em seu governo (1956-1961) sob a forma

  1. A
    de grandes investimentos na educação básica e na fundação de centros de pesquisa.
  2. B
    de incentivos à diversificação e mecanização da produção agrícola.
  3. C
    da implantação de formas racionais de organização do trabalho.
  4. D
    da ação governamental embasada em concepção nacionalista e trabalhista.
  5. E
    de um projeto desenvolvimentista amparado por incentivos e captação de recursos estrangeiros.
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Resolução comentada

O texto mostra JK defendendo a industrialização como "necessidade" para o país deixar de ser apenas agrícola e exportador de café e matérias-primas. Na prática, isso virou o Plano de Metas ("50 anos em 5"), cuja lógica era o desenvolvimentismo: o Estado planeja e coordena, mas a industrialização é feita com forte participação do capital externo.

Como isso ocorreu:

  1. O governo concedeu incentivos a empresas multinacionais, como isenções de tarifas para importar máquinas (Instrução 113 da SUMOC), isenções fiscais e crédito facilitado.
  2. Com isso, instalaram-se no Brasil a indústria automobilística (Volkswagen, Ford, GM, Willys), a de eletrodomésticos e a de bens de capital.
  3. O Estado investiu em energia, transportes (rodovias) e siderurgia, a infraestrutura necessária, e construiu Brasília, atraindo também empréstimos externos.

Portanto, a "mentalidade industrial" se concretizou num projeto desenvolvimentista apoiado em incentivos e em capitais estrangeiros.

As demais alternativas não descrevem o núcleo do governo JK: a educação recebeu pouco investimento (meta 30 do plano, com pouco peso); a agricultura foi secundária; a organização racional do trabalho é associada ao taylorismo/fordismo em geral, não a uma ação específica do governo; e o nacionalismo-trabalhismo caracteriza mais Vargas e Jango, enquanto JK abriu a economia ao capital estrangeiro.

Alternativa E.

Pegadinha: A alternativa D engana por associar qualquer presidente do período à tradição nacionalista e trabalhista de Vargas, ignorando a abertura de JK ao capital estrangeiro.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AA educação básica teve peso mínimo no Plano de Metas, que priorizou energia, transportes e indústria.
  • BA agricultura e sua mecanização foram setores secundários no plano, cujo foco era a indústria de base e de bens duráveis.
  • CNão foi uma política de governo; a organização racional do trabalho vem do taylorismo/fordismo nas empresas, não de ação específica de JK.
  • DO nacionalismo trabalhista marca Vargas e Jango; JK abriu a economia ao capital estrangeiro, contrariando o nacionalismo.

Assuntos: governo juscelino kubitschek, plano de metas, desenvolvimentismo.

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