Questão 44 da FUVEST 2023

1ª fase

“Migna terra tê parmeras
Che ganta inzima o sabiá.
As aves che stó aqui,
Tambê tuttos sabi gorgeá.
(...)
Os rio lá sô maise grandi
Dus rio di tuttas naçó;
I os matto si perdi di vista,
Nu meio da imensidó.”

BANANÉRE, Juó. “Migna terra”. La Divina Increnca. São Paulo: Irmãos Marrano Editora, 1924.

Assinale a alternativa que melhor expressa as relações entre o poema e a inserção social de imigrantes italianos no Brasil.

  1. A
    O poema traça uma analogia entre a paisagem natural da Itália e do Brasil, sob os olhos de um imigrante.
  2. B
    A referência à oralidade era um reconhecimento à contribuição desta comunidade para a nova literatura brasileira.
  3. C
    O poema tematiza a revolta dos imigrantes camponeses italianos ao chegarem nas fazendas de café.
  4. D
    O caráter lírico presente no poema indica a emotividade e o desejo de aceitação por parte dos imigrantes.
  5. E
    A linguagem adotada no poema expressava uma maneira caricata de representar o idioma daquela comunidade.
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Resolução comentada

O poema é de Juó Bananére (pseudônimo de Alexandre Ribeiro Marcondes Machado), que escrevia em "italianado", a mistura de português com italiano falada pelos imigrantes em São Paulo. Aqui ele parodia a "Canção do exílio", de Gonçalves Dias ("Minha terra tem palmeiras / onde canta o sabiá").

Para resolver, siga estes passos:

  1. Identifique o recurso: os versos reproduzem a "Canção do exílio" com grafia e sotaque ítalo-paulistano ("migna terra tê parmeras", "tuttos sabi gorgeá"). Isso é paródia, com tom humorístico.

  2. Veja o conteúdo: o poema exalta a terra, as palmeiras, os rios e as matas do Brasil. A "terra" é o Brasil, e não a Itália. Isso elimina a alternativa A.

  3. Veja a intenção: Bananére é um autor paulistano que imita, de fora, o modo de falar dos imigrantes. Ele exagera esse modo de falar para fazer graça, o que é caricatura. A linguagem deforma o idioma da comunidade com efeito cômico.

  4. Confira as demais alternativas. O poema não trata de revolta nas fazendas de café (C). Ele não é lírico e emotivo, é paródico (D). E a oralidade não é um reconhecimento da contribuição da comunidade, mas um recurso de sátira (B).

Portanto, a linguagem caricata é o elemento que liga o poema à inserção dos imigrantes, pois mostra como eram vistos e retratados socialmente.

Alternativa E.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AO poema elogia a natureza do Brasil, sem comparação com a paisagem italiana.
  • BA oralidade é recurso de paródia e humor, não um reconhecimento da contribuição dos imigrantes à literatura.
  • CNão há tema de revolta nem menção às fazendas de café; o poema é exaltação da terra.
  • DO lirismo é apenas imitação paródica da "Canção do exílio"; o tom é humorístico, não de súplica por aceitação.

Assuntos: paródia, modernismo, Canção do exílio.

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