Questão 43 da FUVEST 2023
I.
“É indispensável romper com todas as diplomacias nocivas, mandar pro diabo qualquer forma de hipocrisia, suprimir as políticas literárias e conquistar uma profunda sinceridade pra com os outros e pra consigo mesmo. A convicção dessa urgência foi pra mim a melhor conquista até hoje do movimento que chamam de ‘modernismo’. Foi ela que nos permitiu a intuição de que carecemos, sob pena de morte, de procurar uma arte de expressão nacional”.
HOLANDA, Sérgio Buarque de. O lado oposto e outros lados, 1926.
II.
“Trazendo de países distantes nossas formas de convívio, nossas instituições, nossas ideias, e timbrando em manter tudo isso em ambiente muitas vezes desfavorável e hostil, somos ainda hoje uns desterrados em nossa terra”.
HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil, 1936.
Os dois excertos do historiador e crítico literário Sérgio Buarque de Holanda salientam que a cultura brasileira somente completará a sua formação quando
- Asouber reproduzir fielmente os modelos externos.
- Bimportar uma estética à altura da sua genialidade.
- Cabolir a necessidade de figurar o caráter nacional.
- Ddeixar a posição de colônia e se tornar metrópole.
- Efirmar, na arte e na vida social, a sua autenticidade.
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Resolução comentada
Nos dois trechos, Sérgio Buarque de Holanda trata da falta de autenticidade da cultura brasileira e da necessidade de superá-la.
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No trecho I (1926), ele fala em romper com a hipocrisia e conquistar "uma profunda sinceridade pra com os outros e pra consigo mesmo". Diz que o modernismo nos deu a intuição de que precisamos procurar "uma arte de expressão nacional". Ou seja, a arte deve ser própria, genuína, e não imitação.
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No trecho II (Raízes do Brasil, 1936), ele afirma que trouxemos de fora formas de convívio, instituições e ideias, e por isso somos "desterrados em nossa terra". A imagem indica que vivemos como estrangeiros no próprio país, porque nossa vida social é transplantada e não nasce da realidade local.
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Juntando os dois textos, o ponto comum é que a formação cultural só se completa quando a arte (trecho I) e a vida social e institucional (trecho II) deixarem de ser cópia e se tornarem autênticas, expressão do próprio país.
As alternativas que propõem copiar ou importar modelos vão contra os textos. A que fala em abolir a busca do caráter nacional contradiz o trecho I. A que fala em virar metrópole não aparece em nenhum deles. Só a ideia de firmar a autenticidade na arte e na vida social reúne os dois excertos.
Alternativa E.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AReproduzir fielmente modelos externos é justamente o problema apontado, que gera o "desterro" cultural.
- BImportar estética contraria a busca de uma arte de expressão nacional; o texto não fala em genialidade.
- CInverte o trecho I, que defende procurar uma arte de expressão nacional, sob pena de morte.
- DOs textos não tratam de passar de colônia a metrópole, mas de autenticidade cultural.
Assuntos: modernismo, Sérgio Buarque de Holanda, identidade cultural brasileira.
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