PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 51 da FUVEST 2021

1ª fase · Física: Óptica da visão e instrumentos ópticos

O olho humano constitui uma complexa estrutura capaz de controlar a luz recebida e produzir imagens nítidas. Em pessoas com visão normal, o olho é capaz de acomodar o cristalino para focalizar sobre a retina a luz que vem dos objetos, desde que não estejam muito próximos. Pessoas míopes, por outro lado, apresentam dificuldades em enxergar de longe. Ao focalizar objetos situados além do chamado ponto remoto (PR), a imagem forma-se à frente da retina, conforme ilustrado na figura.

Esquema intitulado “Indivíduo Míope”. Sobre um eixo horizontal pontilhado, o Objeto está à esquerda do ponto remoto PR e do olho. Dois raios partem do objeto, divergem até o Cristalino e, após atravessá-lo, convergem em um ponto à frente da Retina, indicada na parte posterior do olho.

Neste caso, lentes corretivas são necessárias a fim de que o indivíduo observe o objeto de forma nítida.

Qual arranjo esquemático melhor descreve a correção realizada por uma lente receitada por um oftalmologista no caso de um indivíduo míope?

  1. A
    Esquema com os rótulos Objeto, PR, Lente e Retina. O objeto está à esquerda do PR, seguido de uma lente plano-côncava e do olho, sobre um eixo horizontal pontilhado. Dois raios divergem do objeto até a face plana da lente, seguem paralelos entre si até o cristalino e então convergem na retina.
  2. B
    Esquema com os rótulos Objeto, PR, Lente e Retina. O objeto está à esquerda do PR, seguido de uma lente plano-côncava e do olho, sobre um eixo horizontal pontilhado. Dois raios divergem do objeto; na face plana da lente, passam a divergir menos e, na face côncava, passam a divergir mais até o cristalino, após o qual convergem na retina.
  3. C
    Esquema com os rótulos Objeto, PR, Lente e Retina. O objeto está à esquerda do PR, seguido de uma lente plano-côncava e do olho, sobre um eixo horizontal pontilhado. Dois raios divergem do objeto até a face plana da lente e, a partir dessa face, convergem em trajetórias retas até a retina, sem desvios na face côncava ou no cristalino.
  4. D
    Esquema com os rótulos Objeto, PR, Lente e Retina. O objeto está à esquerda do PR, seguido de uma lente plano-côncava e do olho, sobre um eixo horizontal pontilhado. Dois raios divergem do objeto até a face plana da lente, convergem dentro da lente, voltam a divergir após a face côncava e, após atravessar o cristalino, convergem na retina.
  5. E
    Esquema com os rótulos Objeto, PR, Lente e Retina. O objeto está à esquerda do PR, seguido de uma lente plano-côncava e do olho, sobre um eixo horizontal pontilhado. Dois raios divergem do objeto até a face plana da lente, seguem paralelos entre si dentro dela e, após a face côncava, convergem em trajetórias retas até a retina, sem desvio no cristalino.
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Resolução comentada

Na miopia, o olho é muito convergente: a imagem de um objeto distante se forma antes da retina. Para corrigir, usa-se uma lente divergente (bordas grossas, como a plano-côncava das figuras), que faz os raios chegarem ao olho como se viessem do ponto remoto (PR), o ponto mais distante que o míope enxerga nítido.

Para que o objeto distante seja visto com nitidez, a lente deve fazer os raios que saem dele chegarem ao cristalino com a divergência que teriam se saíssem do PR. O cristalino, que já funciona para essa divergência, converge então os raios sobre a retina.

Portanto, o esquema correto deve mostrar:

  1. Raios divergindo a partir do objeto até a lente.
  2. A lente divergente aumentando a divergência dos raios, que atingem o cristalino mais abertos do que saíram do objeto.
  3. O cristalino convergindo esses raios sobre a retina.

Analisando as figuras: a lente divergente nunca torna os raios paralelos nem convergentes (A, C, D e E mostram esses comportamentos). Só a figura B mostra os raios divergindo um pouco ao entrarem na lente e divergindo mais ao saírem dela, chegando ao cristalino bem abertos e convergindo na retina. Além disso, esses raios parecem vir do PR, o que é o objetivo da correção.

Alternativa B.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AMostra raios paralelos dentro da lente e ao chegar ao cristalino, o que seria correção de um olho com ponto remoto no infinito, e não de lente divergente.
  • COs raios passam a convergir já na face plana, comportamento de lente convergente, que agravaria a miopia.
  • DOs raios convergem dentro da lente e voltam a divergir, comportamento incoerente com uma lente divergente.
  • ERaios paralelos dentro da lente e convergentes na saída: a lente seria convergente, e o cristalino não teria nenhum efeito.

Assuntos: Óptica da visão e instrumentos ópticos, Lentes esféricas.

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