Questão 59 da FUVEST 2019
TEXTO PARA AS QUESTÕES 58 E 59
Mito, na acepção aqui empregada, não significa mentira, falsidade ou mistificação. Tomo de empréstimo a formulação de Hans Blumenberg do mito político como um processo contínuo de trabalho de uma narrativa que responde a uma necessidade prática de uma sociedade em determinado período. Narrativa simbólica que é, o mito político coloca em suspenso o problema da verdade. Seu discurso não pretende ter validade factual, mas também não pode ser percebido como mentira (do contrário, não seria mito). O mito político confere um sentido às circunstâncias que envolvem os indivíduos: ao fazê-los ver sua condição presente como parte de uma história em curso, ajuda a compreender e suportar o mundo em que vivem.
ENGELKE, Antonio. O anjo redentor. Piauí, ago. 2018, ed. 143, p. 24.
Sobre o sujeito da oração “em que vivem” (L. 12-13), é correto afirmar:
- AExpressa indeterminação, cabendo ao leitor deduzir a quem se refere a ação verbal.
- BEstá oculto e visa evitar a repetição da palavra “circunstâncias” (L. 10).
- CÉ uma função sintática preenchida pelo pronome “que” (L. 12).
- DÉ indeterminado, tendo em vista que não é possível identificar a quem se refere a ação verbal.
- EEstá oculto e seu referente é o mesmo do pronome “os” em “fazê-los” (L. 11).
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Resolução comentada
Na oração "o mundo em que vivem", o verbo "vivem" está na terceira pessoa do plural. Precisamos descobrir quem pratica a ação de viver.
No texto, o mito político "confere um sentido às circunstâncias que envolvem os indivíduos: ao fazê-los ver sua condição presente [...], ajuda a compreender e suportar o mundo em que vivem". Quem vive no mundo são os indivíduos, retomados pelo pronome "os" em "fazê-los".
Como o sujeito não aparece escrito na oração, ele é desinencial (oculto): a terminação verbal "-em" indica a 3ª pessoa do plural, e o contexto permite recuperá-lo. Não se trata de sujeito indeterminado, porque o referente é claramente identificável.
Analisando o pronome "que": ele é um pronome relativo que retoma "mundo" e, junto com a preposição "em", funciona como adjunto adverbial de lugar ("vivem no mundo"). Ele não é o sujeito.
Também não faz sentido dizer que o sujeito evita repetir "circunstâncias": o que se vive são os indivíduos, não as circunstâncias, e o termo repetido seria "mundo" no pronome, não o sujeito.
Portanto, o sujeito oculto é "eles" = os indivíduos, o mesmo referente de "os" em "fazê-los".
Alternativa E.
Pegadinha: As alternativas A e D enganam quem confunde verbo na 3ª pessoa do plural sem sujeito expresso com sujeito indeterminado; aqui o sujeito é recuperável pelo contexto.
Por que as outras alternativas estão erradas
- ANão há indeterminação: o referente (os indivíduos) é facilmente deduzido do texto.
- BO sujeito oculto não retoma "circunstâncias", e sim "os indivíduos".
- C"Que" é pronome relativo que, com "em", forma adjunto adverbial de lugar, não sujeito.
- DNão é indeterminado, pois o referente é identificável no contexto.
Assuntos: sujeito oculto, sujeito indeterminado, pronome relativo.
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