Questão 59 da FUVEST 2014

1ª fase

Durante muito tempo, sustentou-se equivocadamente que a utilização de especiarias na Europa da Idade Média era determinada pela necessidade de se alterar o sabor de alimentos apodrecidos, ou pela opinião de que tal uso garantiria a conservação das carnes.

A utilização de especiarias no período medieval

  1. A
    permite identificar a existência de circuitos mercantis entre a Europa, a Ásia e o continente africano.
  2. B
    demonstra o rigor religioso, caracterizado pela condenação da gastronomia e do requinte à mesa.
  3. C
    revela a matriz judaica da gastronomia medieval europeia.
  4. D
    oferece a comprovação da crise econômica vivida na Europa a partir do ano mil.
  5. E
    explicita o importante papel dos camponeses dedicados a sua produção e comercialização.
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Resolução comentada

O enunciado desfaz um mito: as especiarias (pimenta, canela, cravo, noz-moscada, gengibre) não serviam para disfarçar comida podre nem para conservar carne. Eram produtos caros, símbolo de requinte e status das elites europeias.

O ponto central é a origem delas. Nenhuma era cultivada na Europa. Vinham do Oriente, da Índia, do Ceilão e das ilhas da Insulíndia, e chegavam à Europa por rotas que passavam pelo Oriente Médio e pelo Mediterrâneo. Os mercadores árabes e as cidades italianas, como Veneza e Gênova, faziam essa ligação, e parte do comércio também passava pelo norte da África, pelo Egito e pelo Mar Vermelho.

Portanto, a presença das especiarias na mesa medieval é um indício de circuitos mercantis que uniam Europa, Ásia e África.

As demais alternativas não se sustentam:

  1. A Igreja não condenava a gastronomia refinada de modo geral, e as especiarias eram usadas pela nobreza e pelo clero.
  2. Não há "matriz judaica" da culinária medieval europeia que as especiarias revelem.
  3. A partir do ano mil a Europa vive expansão comercial e urbana (Renascimento Comercial), não crise.
  4. Os camponeses europeus não produziam nem comercializavam especiarias.

Alternativa A.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • BA Igreja não condenava o requinte à mesa de forma geral, e as especiarias eram consumidas pelas elites, inclusive o clero.
  • CNada no uso de especiarias indica uma matriz judaica da gastronomia medieval.
  • DDepois do ano mil a Europa tem expansão comercial e urbana, e o consumo de produtos caros mostra isso, não crise.
  • EAs especiarias vinham do Oriente e eram negociadas por mercadores, não produzidas por camponeses europeus.

Assuntos: comércio medieval, especiarias, renascimento comercial.

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