Questão 58 da FUVEST 2014

1ª fase

César não saíra de sua província para fazer mal algum, mas para se defender dos agravos dos inimigos, para restabelecer em seus poderes os tribunos da plebe que tinham sido, naquela ocasião, expulsos da Cidade, para devolver a liberdade a si e ao povo romano oprimido pela facção minoritária.

Caio Júlio César. A Guerra Civil. São Paulo: Estação Liberdade, 1999, p. 67.

O texto, do século I a.C., retrata o cenário romano de

  1. A
    implantação da Monarquia, quando a aristocracia perseguia seus opositores e os forçava ao ostracismo, para sufocar revoltas oligárquicas e populares.
  2. B
    transição da República ao Império, período de reformulações provocadas pela expansão mediterrânica e pelo aumento da insatisfação da plebe.
  3. C
    consolidação da República, marcado pela participação política de pequenos proprietários rurais e pela implementação de amplo programa de reforma agrária.
  4. D
    passagem da Monarquia à República, período de consolidação oligárquica, que provocou a ampliação do poder e da influência política dos militares.
  5. E
    decadência do Império, então sujeito a invasões estrangeiras e à fragmentação política gerada pelas rebeliões populares e pela ação dos bárbaros.
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Resolução comentada

O texto é de Júlio César, em A Guerra Civil, e trata da guerra contra Pompeu e o Senado, que começou em 49 a.C. com a travessia do Rubicão. Isso dá o contexto do século I a.C.

Primeiro, vale lembrar as fases de Roma:

  1. Monarquia: de 753 a 509 a.C.
  2. República: de 509 a 27 a.C.
  3. Império: a partir de 27 a.C., com Otávio Augusto.

O que o texto mostra:

  • César diz que se defende dos "agravos dos inimigos", ou seja, dos adversários políticos no Senado.
  • Diz que quer restabelecer os tribunos da plebe, magistrados da República que tinham sido expulsos da Cidade.
  • Diz que quer libertar o povo "oprimido pela facção minoritária", isto é, a oligarquia senatorial (os optimates).

Tudo isso aponta para a crise final da República: disputas entre generais, conflito entre o Senado e os defensores da plebe e guerras civis. Essa crise foi alimentada pela expansão mediterrânica, que concentrou terras e riquezas e aumentou a insatisfação popular. Ela terminou com a ditadura de César e, depois, com o Principado de Augusto, que inaugurou o Império.

Portanto, o texto retrata a transição da República ao Império, período de reformulações ligadas à expansão e ao descontentamento da plebe.

Alternativa B.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AA Monarquia romana é do século VIII ao VI a.C., e o ostracismo é prática ateniense, não romana.
  • CA consolidação da República é anterior, e a reforma agrária (Gracos) foi bloqueada pela oligarquia, não implementada amplamente.
  • DA passagem da Monarquia à República ocorreu em 509 a.C., séculos antes de César.
  • EA decadência do Império e as invasões bárbaras são dos séculos III a V d.C., muito depois do texto.

Assuntos: crise da república romana, roma antiga, júlio césar.

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