Questão 50 da FUVEST 2013
Oh! Aquela alegria me deu náuseas. Sentia-me ao mesmo tempo satisfeito e descontente. E eu disse: tanto melhor e tanto pior. Eu entendia que o povo comum estava tomando a justiça em suas mãos. Aprovo essa justiça, mas poderia não ser cruel? Castigos de todos os tipos, arrastamentos e esquartejamentos, tortura, a roda, o cavalete, a fogueira, verdugos proliferando por toda parte trouxeram tanto prejuízo aos nossos costumes! Nossos senhores colherão o que semearam.
Graco Babeuf, citado por R. Darnton. O beijo de Lamourette. Mídia, cultura e revolução. São Paulo: Companhia das Letras, 1990, p. 31. Adaptado.
O texto é parte de uma carta enviada por Graco Babeuf à sua mulher, no início da Revolução Francesa de 1789. O autor
- Adiscorda dos propósitos revolucionários e defende a continuidade do Antigo Regime, seus métodos e costumes políticos.
- Bapoia incondicionalmente as ações dos revolucionários por acreditar que não havia outra maneira de transformar o país.
- Cdefende a criação de um poder judiciário, que atue junto ao rei.
- Dcaracteriza a violência revolucionária como uma reação aos castigos e à repressão antes existentes na França.
- Eaceita os meios de tortura empregados pelos revolucionários e os considera uma novidade na história francesa.
Reportar erro na questão
Resolução comentada
Babeuf escreve sobre a reação popular no início da Revolução: o povo comum, em vez de esperar pela justiça oficial, passou a "tomar a justiça em suas mãos", com violência. A reação dele é ambígua: "satisfeito e descontente", "tanto melhor e tanto pior". Ele aprova essa justiça popular, mas pergunta se ela "poderia não ser cruel".
O ponto central vem depois. Ele lembra os castigos do Antigo Regime: arrastamentos, esquartejamentos, tortura, roda, cavalete, fogueira e verdugos por toda parte. Diz que isso "trouxe tanto prejuízo aos nossos costumes", isto é, acostumou a sociedade à残crueldade. E conclui que "nossos senhores colherão o que semearam": a violência dos revolucionários é o efeito da violência que o poder antigo praticou por séculos.
Assim, vamos testar as alternativas:
- Ele não defende o Antigo Regime; critica seus métodos cruéis.
- Ele não apoia de modo incondicional, pois questiona a残crueldade popular.
- O texto não trata de poder judiciário junto ao rei.
- O texto liga a violência revolucionária à repressão anterior: é exatamente o que a alternativa D diz.
- Ele não considera a tortura uma novidade; ao contrário, a associa ao passado monárquico.
Alternativa D.
Por que as outras alternativas estão erradas
- ABabeuf critica os castigos cruéis do Antigo Regime e não defende sua continuidade.
- BO apoio não é incondicional: ele se diz descontente e questiona a残crueldade da justiça popular.
- CO texto não menciona a criação de um poder judiciário junto ao rei.
- EEle não aceita a tortura nem a vê como novidade; ela já existia no Antigo Regime.
Assuntos: revolução francesa, interpretação de texto histórico, antigo regime.
Reportar erro na resolução
Ver como caiu na prova