Questão 70 da FUVEST 2012

1ª fase

Há cerca de 2000 anos, os sítios superficiais e sem cerâmica dos caçadores antigos foram substituídos por conjuntos que evidenciam uma forte mudança na tecnologia e nos hábitos. Ao mesmo tempo que aparecem a cerâmica chamada itararé (no Paraná) ou taquara (no Rio Grande do Sul) e o consumo de vegetais cultivados, encontram-se novas estruturas de habitações.

André Prous. O Brasil antes dos brasileiros. A pré-história do nosso país. Rio de Janeiro: Zahar, 2007, p. 49. Adaptado.

O texto associa o desenvolvimento da agricultura com o da cerâmica entre os habitantes do atual território do Brasil, há 2000 anos. Isso se deve ao fato de que a agricultura

  1. A
    favoreceu a ampliação das trocas comerciais com povos andinos, que dominavam as técnicas de produção de cerâmica e as transmitiram aos povos guarani.
  2. B
    possibilitou que os povos que a praticavam se tornassem sedentários e pudessem armazenar alimentos, criando a necessidade de fabricação de recipientes para guardá-los.
  3. C
    proliferou, sobretudo, entre os povos dos sambaquis, que conciliaram a produção de objetos de cerâmica com a utilização de conchas e ossos na elaboração de armas e ferramentas.
  4. D
    difundiu-se, originalmente, na ilha de Fernando de Noronha, região de caça e coleta restritas, o que forçava as populações locais a desenvolver o cultivo de alimentos.
  5. E
    era praticada, prioritariamente, por grupos que viviam nas áreas litorâneas e que estavam, portanto, mais sujeitos a influências culturais de povos residentes fora da América.
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Resolução comentada

O texto mostra que, há cerca de 2000 anos, os caçadores-coletores antigos, sem cerâmica, dão lugar a grupos que plantam, fazem cerâmica (itararé/taquara) e constroem novas habitações. A pergunta é por que agricultura e cerâmica aparecem juntas.

O raciocínio é o seguinte:

  1. Plantar exige esperar o ciclo da lavoura (plantio, crescimento, colheita). Por isso o grupo precisa ficar em um lugar por longos períodos, isto é, tende ao sedentarismo. O próprio texto aponta isso ao citar as "novas estruturas de habitações".
  2. A colheita vem concentrada em certas épocas e gera excedentes, que precisam ser guardados para consumo posterior.
  3. Para armazenar grãos, raízes e água, e também para cozinhar, a cerâmica é ideal. Ela é pesada e frágil, o que não atrapalha quem vive fixo, mas seria um problema para nômades.

Assim, agricultura, sedentarismo, armazenamento e cerâmica formam uma cadeia. Isso corresponde à alternativa B.

As demais fogem do texto: atribuem a cerâmica a influência externa (andinos, povos de fora da América) ou a locais específicos (sambaquis, Fernando de Noronha), sem relação com a necessidade de guardar alimentos.

Alternativa B.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AAtribui a cerâmica a povos andinos e a trocas comerciais, algo que o texto não indica; a explicação é a necessidade de armazenar.
  • COs povos dos sambaquis eram coletores de moluscos do litoral e não são os que desenvolveram a agricultura com cerâmica.
  • DFernando de Noronha não foi centro de origem da agricultura no Brasil; a afirmação é infundada.
  • ESupõe influência de povos de fora da América, o que não tem base e não explica a ligação entre agricultura e cerâmica.

Assuntos: pré-história do Brasil, agricultura e sedentarismo, cerâmica.

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