Questão 52 da FUVEST 2012

1ª fase

Texto para as questões 51 e 52

RECEITA DE MULHER

As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
Qualquer coisa de dança, qualquer coisa de
[haute couture*

Em tudo isso (ou então
Que a mulher se socialize elegantemente em azul,
[como na República Popular Chinesa).

Não há meio-termo possível. É preciso
Que tudo isso seja belo. É preciso que súbito
Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas
[pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no
[terceiro minuto da aurora.

Vinicius de Moraes.

* “haute couture”: alta costura.

Tendo em vista o contexto, o modo verbal predominante no excerto e a razão desse uso são:

  1. A
    indicativo; expressar verdades universais.
  2. B
    imperativo; traduzir ordens ou exortações.
  3. C
    subjuntivo; indicar vontade ou desejo.
  4. D
    indicativo; relacionar ações habituais.
  5. E
    subjuntivo; sugerir condições hipotéticas.
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Resolução comentada

O trecho está cheio de construções como "É preciso que haja...", "É preciso que tudo isso seja belo", "É preciso que súbito tenha-se a impressão...", "que um rosto adquira...", "que a mulher se socialize...". Os verbos haja, seja, tenha-se, adquira e socialize estão no presente do subjuntivo.

Esse modo expressa algo não realizado, ligado a desejo, vontade ou necessidade. Aqui, a expressão "é preciso que" exige o subjuntivo e mostra o que o eu lírico deseja: que a mulher seja bela, com algo de flor, de dança, de garça pousada.

Vamos descartar as outras opções:

  1. O indicativo exprime fatos reais ou certos, e o poema fala do que deveria ser, não do que é.
  2. O imperativo traria ordens diretas ("seja bela!"), mas o poema não se dirige a um interlocutor para mandar; expõe um ideal em tom de desejo e necessidade.
  3. Hipótese, com "se" ou "caso", não aparece. O subjuntivo aqui não é condicional, é volitivo: traduz querer, não suposição.

Portanto, o modo predominante é o subjuntivo, usado para indicar vontade ou desejo do eu lírico sobre a beleza feminina.

Alternativa C.

Pegadinha: A alternativa E engana porque acerta o modo (subjuntivo), mas atribui a ele a ideia de hipótese, típica de orações condicionais; aqui o valor é de desejo.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AOs verbos não estão no indicativo, e o poema expõe um desejo do eu lírico, não verdades universais.
  • BNão há ordem direta a um interlocutor; as formas em "que + subjuntivo" expressam necessidade e desejo, não imperativo.
  • DO indicativo não predomina, e não se trata de ações habituais, mas de um ideal desejado.
  • EO modo está certo, mas a razão não: não há hipótese ou condição, e sim vontade/desejo.

Assuntos: modos verbais, subjuntivo, interpretação de poema.

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