Questão 6 da FUVEST 2011

1ª fase

Leia o seguinte texto:

Era o que ele estudava. “A estrutura, quer dizer, a estrutura” – ele repetia e abria as mãos branquíssimas ao esboçar o gesto redondo. Eu ficava olhando seu gesto impreciso porque uma bolha de sabão é mesmo imprecisa, nem sólida nem líquida, nem realidade nem sonho. Película e oco. “A estrutura da bolha de sabão, compreende?” Não compreendia. Não tinha importância. Importante era o quintal da minha meninice com seus verdes canudos de mamoeiro, quando cortava os mais tenros que sopravam as bolas maiores, mais perfeitas.

Lygia Fagundes Telles, A estrutura da bolha de sabão, 1973.

A “estrutura” da bolha de sabão é consequência das propriedades físicas e químicas dos seus componentes. As cores observadas nas bolhas resultam da interferência que ocorre entre os raios luminosos refletidos em suas superfícies interna e externa.

Considere as afirmações abaixo sobre o início do conto de Lygia Fagundes Telles e sobre a bolha de sabão:

I. O excerto recorre, logo em suas primeiras linhas, a um procedimento de coesão textual em que pronomes pessoais são utilizados antes da apresentação de seus referentes, gerando expectativa na leitura.
II. Os principais fatores que permitem a existência da bolha são a força de tensão superficial do líquido e a presença do sabão, que reage com as impurezas da água, formando a sua película visível.
III. A ótica geométrica pode explicar o aparecimento de cores na bolha de sabão, já que esse fenômeno não é consequência da natureza ondulatória da luz.

Está correto apenas o que se afirma em

  1. A
    I.
  2. B
    I e II.
  3. C
    I e III.
  4. D
    II e III.
  5. E
    III.
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Resolução comentada

Vamos avaliar cada afirmação.

I. Correta. O texto começa com "Era o que ele estudava" e "ele repetia", em que "ele" é um pronome pessoal cujo referente (o personagem que estuda a bolha) ainda não foi apresentado. Esse recurso é a catáfora: o pronome antecipa o referente, que só aparece depois, e isso cria expectativa no leitor.

II. Incorreta. A bolha existe graças à tensão superficial do líquido e à presença do sabão. O sabão é um tensoativo: suas moléculas ficam na superfície da película e estabilizam a água, que sozinha estouraria. O erro está em dizer que o sabão "reage com as impurezas da água" para formar a película. Não há reação: a película se forma pela organização física das moléculas de sabão (parte polar voltada para a água, parte apolar voltada para fora).

III. Incorreta. As cores da bolha surgem da interferência entre a luz refletida na face externa e na face interna da película. Interferência é fenômeno ondulatório, pois depende da soma das ondas (construtiva ou destrutiva). A ótica geométrica trata a luz como raios e não explica interferência. A afirmação contradiz o próprio enunciado e está errada.

Só a afirmação I está correta.

Alternativa A.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • BAcerta a I, mas aceita que o sabão reaja com impurezas; a película se forma por ação tensoativa, sem reação.
  • CAcerta a I, mas a III é falsa: a interferência é fenômeno ondulatório, não explicável pela ótica geométrica.
  • DConsidera corretas II e III, ambas falsas, e ignora a I, que é correta.
  • EConsidera correta só a III, que é falsa, pois as cores decorrem da natureza ondulatória da luz.

Assuntos: coesão textual, interferência da luz, tensão superficial.

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