Questão 22 da FUVEST 2009
Texto para as questões de 21 a 23
Assim se explicam a minha estada debaixo da janela de Capitu e a passagem de um cavaleiro, um dandy, como então dizíamos. Montava um belo cavalo alazão, firme na sela, rédea na mão esquerda, a direita à cinta, botas de verniz, figura e postura esbeltas: a cara não me era desconhecida. Tinham passado outros, e ainda outros viriam atrás; todos iam às suas namoradas. Era uso do tempo namorar a cavalo. Relê Alencar: “Porque um estudante (dizia um dos seus personagens de teatro de 1858) não pode estar sem estas duas coisas, um cavalo e uma namorada”. Relê Álvares de Azevedo. Uma das suas poesias é destinada a contar (1851) que residia em Catumbi, e, para ver a namorada no Catete, alugara um cavalo por três mil-réis...
Machado de Assis. Dom Casmurro.
Com a frase “como então dizíamos” (linha 3), o narrador tem por objetivo, principalmente,
- Acomentar um uso lingüístico de época anterior ao presente da narração.
- Bcriticar o uso de um estrangeirismo que caíra em desuso.
- Cmarcar o uso da primeira pessoa do plural.
- Dregistrar a passagem do cavaleiro diante da janela de Capitu.
- Econdenar o modo como se falava no passado.
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Resolução comentada
O narrador, Bentinho já idoso, conta um episódio da juventude. Quando escreve "um dandy, como então dizíamos", ele faz uma observação sobre a linguagem: a palavra dandy (homem elegante, de modos refinados), estrangeirismo inglês, era a que se usava naquele tempo.
Passo a passo:
- O advérbio "então" remete ao passado da história (a juventude de Bentinho), em oposição ao momento em que ele narra, muitos anos depois.
- O verbo "dizíamos", no pretérito imperfeito, indica um hábito de fala de época anterior.
- Logo, o trecho funciona como um comentário sobre o uso linguístico da época: era assim que as pessoas chamavam esse tipo de cavaleiro.
Não há crítica nem condenação do termo: o narrador apenas situa a palavra no tempo, sem julgá-la. Também não é a função principal marcar a pessoa gramatical ou registrar o cavaleiro, que já foi apresentado na frase anterior.
Alternativa A.
Por que as outras alternativas estão erradas
- BNão há crítica ao estrangeirismo; o narrador só informa que a palavra era usada na época, e não diz que caiu em desuso.
- CA primeira pessoa do plural é só a forma verbal usada, não o objetivo da expressão.
- DA passagem do cavaleiro já foi registrada antes; a expressão comenta a palavra, não o fato.
- EO narrador não condena o modo de falar do passado, apenas o situa no tempo.
Assuntos: interpretação de texto, Machado de Assis, linguagem e variação histórica.
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