Questão 48 da FUVEST 2008
Depreende-se desse fragmento que, para Mário Quintana,
- Aa crítica de poesia é meticulosa e exata quando acolhe e valoriza uma imagem poética.
- Buma imagem poética logo se converte, na visão de um crítico, em um referente prosaico.
- Co leitor e o poeta relacionam-se de maneira antagônica com o fenômeno poético.
- Do poeta e o crítico sabem reconhecer a poesia de uma expressão como “pedaço esvoaçante de vida”.
- Epalavras como “borboleta” ou “lepidóptero” mostram que há convergência entre as linguagens da ciência e da poesia.
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Resolução comentada
O enunciado não traz o fragmento de Mário Quintana, só as alternativas. Por isso a resolução se apoia no texto conhecido: "Da poesia e da crítica" (ou "A poesia e a borboleta"), em que o poeta compara o crítico a um entomologista. Esse crítico pega a borboleta (a imagem poética) e a espeta num alfinete, classificando-a com nome científico ("lepidóptero"). Com isso ela perde o voo e a vida, e o que era "pedaço esvoaçante de vida" vira objeto morto e catalogado.
A ideia central é a oposição entre a poesia, viva e leve, e a análise crítica que a fixa e a torna prosaica.
- (A) inverte a ideia: o crítico, ao dissecar, não valoriza a imagem, e sim a mata.
- (B) diz que a imagem poética logo vira, para o crítico, um referente prosaico: a borboleta viva vira "lepidóptero" classificado. É a ideia do texto.
- (C) não procede: leitor e poeta não são antagônicos; o contraste é entre poesia e crítica.
- (D) atribui ao crítico o reconhecimento da poesia, o que o texto nega.
- (E) fala em convergência entre ciência e poesia, quando o texto mostra divergência: "borboleta" é palavra poética e "lepidóptero" é palavra científica que a mata.
Alternativa B.
Pegadinha: A alternativa E engana ao usar os termos "borboleta" e "lepidóptero" do texto, mas conclui convergência onde há contraste.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AInverte o sentido: para Quintana o crítico, ao classificar a imagem, a mata em vez de acolhê-la.
- CO antagonismo do texto é entre poesia e crítica, não entre leitor e poeta.
- DAtribui ao crítico a sensibilidade de reconhecer a poesia, que o texto nega a ele.
- EFala em convergência entre as linguagens, mas o contraste "borboleta" x "lepidóptero" mostra divergência.
Assuntos: interpretação de texto, poesia e crítica.
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