Questão 9 da FUVEST 2007

1ª fase

Tirinha de dois quadrinhos de Jean Galvão. No primeiro quadrinho, um candidato usando um broche com o nome "FULANO" fala com um cabo eleitoral que veste uma camiseta estampada "BELTRANO" e segura uma placa "VOTE BELTRANO". O cabo eleitoral diz: "NÃO POSSO FAZER SUA CAMPANHA. JÁ ESTOU SENDO PAGO PARA FAZER A DO BELTRANO!". O candidato replica: "NÃO TEM PROBLEMA. VOCÊ FAZ PELAS COSTAS!". No segundo quadrinho, o cabo eleitoral vira-se de costas, revelando que a parte de trás de sua camiseta estampa "SICRANO" e a placa também indica "VOTE SICRANO", enquanto responde: "NÃO VAI DAR. PELAS COSTAS EU FAÇO DO SICRANO!".

Dos recursos lingüísticos presentes nos quadrinhos, o que contribui de modo mais decisivo para o efeito de humor é a

  1. A
    pergunta que está subentendida no primeiro quadrinho.
  2. B
    primeira fala do primeiro quadrinho.
  3. C
    falta de sentido do diálogo entre candidato e cabo eleitoral.
  4. D
    utilização de “Fulano”, “Beltrano” e “Sicrano” como nomes próprios.
  5. E
    ambigüidade que ocorre no uso da expressão “pelas costas”.
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Resolução comentada

O humor da tirinha nasce de uma ambiguidade: a mesma expressão pode ter dois sentidos diferentes, e o leitor é levado de um ao outro.

  1. No primeiro quadrinho, o cabo eleitoral diz que já é pago para fazer a campanha do Beltrano e, por isso, não pode fazer a do Fulano.
  2. O candidato propõe uma saída: "Você faz pelas costas!". Aqui a expressão tem sentido figurado, de "às escondidas", "em segredo". Ele sugere uma campanha secreta, sem que o Beltrano saiba.
  3. No segundo quadrinho, o cabo eleitoral retoma a expressão em sentido literal, de "na parte de trás do corpo". Ele se vira e mostra a camiseta com o nome do Sicrano, e diz que pelas costas faz a campanha do Sicrano.

O efeito cômico vem dessa passagem do sentido figurado para o literal, que revela ainda que o cabo eleitoral trabalha para vários candidatos. Isso é exatamente a ambiguidade de "pelas costas".

Fulano, Beltrano e Sicrano são nomes genéricos, usados para pessoas indeterminadas. Eles dão o cenário, mas não produzem a graça. O diálogo também tem sentido e lógica, pois um fala e o outro responde.

Alternativa E.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • ANão há pergunta subentendida no primeiro quadrinho; o que há é uma proposta do candidato, e o humor não depende dela.
  • BA primeira fala apenas apresenta o impedimento; sozinha ela não tem graça, que só surge quando "pelas costas" é retomada.
  • CO diálogo tem sentido e coerência; a graça vem do duplo sentido, não da falta de sentido.
  • DFulano, Beltrano e Sicrano são nomes genéricos (indeterminados), não nomes próprios de pessoas reais, e não são a fonte do humor.

Assuntos: ambiguidade, sentido figurado e literal, interpretação de tirinha.

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