PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 9 (1º exame) da FUVEST 1998
– Sobre Fogo morto, é correto afirmar que
- Ao caráter estanque de suas partes constitutivas é sublinhado pela mudança do foco narrativo em cada uma delas, indo da primeira à terceira pessoa narrativas.
- Ba relativa descontinuidade de sua divisão tripartite é contrastada pela recorrência de temas e motivos internos que atravessam todo o romance.
- Co caráter descontínuo e inconcluso de seu enredo é compensado pelas reflexões do narrador-personagem, que conferem finalização e acabamento ao romance.
- Do caráter estanque de sua divisão tripartite é, no entanto, convertido à unidade pela comunicabilidade e entendimento mútuo das personagens principais.
- Ea cada uma das classes sociais nele representadas, o romance reserva um estilo de narrar próprio: erudito para os senhores de engenho, oral-popular para as camadas humildes e cangaceiros.
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Resolução comentada
Fogo morto, de José Lins do Rego (1943), tem três partes, cada uma centrada em uma personagem: "O mestre José Amaro" (o seleiro), "O engenho de seu Lula" (o senhor de engenho decadente) e "O capitão Vitorino". O narrador é em terceira pessoa em todo o livro. Por isso, a questão pede que você avalie a unidade do conjunto.
A estrutura é tripartite e as partes têm certa autonomia, com focos diferentes. Mas o romance se mantém coeso por temas e motivos que voltam ao longo dele: a decadência do engenho Santa Fé, o fim do mundo patriarcal e do ciclo da cana, a loucura e a obsessão das personagens, o cangaço e o misticismo (o Capitão Antônio Silvino, o beato), a opressão dos pobres. Esses elementos atravessam as três partes e as ligam.
Assim, a descontinuidade apenas relativa da divisão é contrabalançada pela recorrência desses temas.
Conferindo as demais:
- A: o foco não passa da primeira para a terceira pessoa em cada parte; é sempre terceira pessoa.
- C: não há narrador-personagem, e o enredo não é inconcluso.
- D: as personagens quase não se comunicam; vivem isoladas, e a unidade vem dos temas, não do entendimento mútuo.
- E: não há um estilo de narrar distinto para cada classe social.
Alternativa B.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AO foco narrativo é sempre de terceira pessoa; não muda de parte para parte.
- CNão há narrador-personagem, e o romance tem desfecho; a unidade não vem de reflexões do narrador.
- DAs personagens são isoladas e incomunicáveis; a unidade vem dos temas recorrentes, não do entendimento mútuo.
- EO romance não atribui um estilo de narrar diferente a cada classe social.
Assunto: Romance de 30: regionalismo e romance social.
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Fonte: FUVEST 1998 · 1º exame. Prova oficial ↗