PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 4 (1º exame) da FUVEST 1998
Texto para as questões 01 a 04 · V
Detenho-me diante de uma lareira e olho o fogo. É gordo e vermelho, como nas pinturas antigas; remexo as brasas com o ferro, baixo um pouco a tampa de metal e então ele chia com mais força, estala, raiveja, grunhe. Abro: mais intensos clarões vermelhos lambem o grande quarto e a grande cômoda velha parece regozijar-se ao receber a luz desse honesto fogo. Há chamas douradas, pinceladas azuis, brasas rubras e outras cor-de-rosa, numa delicadeza de guache. Lá no alto, todas as minhas chaminés devem estar fumegando com seus penachos brancos na noite escura; não é a lenha do fogo, é toda a minha fragata velha que estala de popa a proa, e vai partir no mar de chuva. Dentro, leva cálidos corações.
(Rubem Braga)
– A mesma relação semântica assinalada pela conjunção e na frase “Detenho-me diante de uma lareira e olho o fogo” encontra-se também em:
- AE, a cada dia, você tem mais lugares onde pode contar com a comodidade de pagar suas despesas com cartões de crédito.
- BRealizada pela primeira vez em outubro do ano passado, a Semana de Arte e Cultura da USP tenta conquistar seu espaço na agenda cultural de São Paulo.
- CCarro quebra no meio da estrada e casal pede ajuda a um motorista que passa pelo local.
- DQuisera falar com o ladrão, e nada fizera.
- EE seu irmão Dito é o dono daqui?
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Resolução comentada
Na frase de Braga, a conjunção e liga duas ações do narrador, "detenho-me diante de uma lareira" e "olho o fogo". Elas vêm uma depois da outra, sem oposição, causa ou consequência. A relação é de adição, com sequência temporal: o e só soma fatos.
Veja o que o e faz em cada alternativa:
- (A) Está no início da frase e funciona como marcador de continuidade do discurso, com valor de reforço ou enumeração. Não liga duas ações de um mesmo período.
- (B) Liga os substantivos "Arte" e "Cultura". É uma adição entre termos, não entre orações.
- (C) Liga duas orações: "Carro quebra no meio da estrada" e "casal pede ajuda". Os dois fatos se somam e acontecem em sequência. É a mesma relação do texto.
- (D) "Quisera falar com o ladrão, e nada fizera": o e equivale a "mas", ou seja, tem valor adversativo.
- (E) Está no início de uma pergunta e é apenas um realce expressivo, sem ligar orações.
Só em (C) o e une duas orações com ações sucessivas, sem oposição, como no trecho de Rubem Braga.
Alternativa C.
Pegadinha: A alternativa D engana porque também liga duas orações com "e", mas ali o sentido é de oposição ("mas"), não de adição.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AO "E" inicial é só um marcador de continuidade do discurso, sem ligar duas orações de um mesmo período.
- BUne dois substantivos (Arte e Cultura), não duas orações com ações sucessivas.
- DO "e" tem valor adversativo (equivale a "mas"), pois há contraste entre querer falar e nada fazer.
- EO "E" inicial da pergunta é um realce expressivo, não soma duas ações.
Assunto: Conectivos e relações lógico-semânticas.
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Fonte: FUVEST 1998 · 1º exame. Prova oficial ↗