Questão H04 da 2ª fase da FUVEST 2025

A imagem apresentada é uma propaganda vitoriana de sabão (Pears´ Soap). Ao analisá-la, Anne McClintock, historiadora zimbabuense-sul-africana, afirma que, no espelho do menino branco, “o menino negro testemunha seu destino predeterminado de metamorfose imperial, mas continua um híbrido racial passivo, parte branco, parte negro, levado à beira da civilização pelos fetiches mercantis gêmeos do sabão e do espelho”.
McCLINTOCK, Anne. Couro imperial. Raça, gênero e sexualidade no embate colonial. São Paulo: Editora da Unicamp, 2010. p.317.
A partir da análise da imagem e da leitura do excerto, responda:
a) Qual o fundamento pseudo-científico usado para justificar a eficácia do produto propagandeado?
b) Qual o significado das expressões “metamorfose imperial” e “híbrido racial passivo”?
c) Cite e explique um fator de tensão entre duas nações europeias que participaram da colonização da África do Sul.
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Resolução comentada
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a) A propaganda se apoia no racismo científico (darwinismo social e teorias das raças) do século XIX. Segundo essa ideia, a humanidade se dividiria em raças hierarquizadas, com a branca europeia no topo, como modelo de pureza e civilização, e a negra na base, associada à sujeira e ao atraso. A imagem mostra o menino negro na banheira e, em seguida, com a pele branqueada pelo sabão. Assim, o produto "limparia" a pele escura e a aproximaria do padrão branco, tratado como estágio superior. A "eficácia" do sabão é justificada pela ideia de que o branqueamento equivale a civilizar. A higiene aparece como sinal de superioridade racial, o que legitimava o imperialismo como missão civilizadora, o chamado "fardo do homem branco".
Resposta: o racismo científico (hierarquia das raças, darwinismo social), que associa a pele branca à pureza e à civilização e a pele negra à sujeira e ao atraso.
b) A "metamorfose imperial" é a transformação que o imperialismo europeu dizia promover nos povos colonizados. Eles seriam "elevados" à civilização por meio do contato com o branco, de seus hábitos, de seu consumo e de sua cultura. Na imagem, essa transformação é o branqueamento do menino negro. O "híbrido racial passivo" é o menino ao meio do processo, "parte branco, parte negro", como na cena em que o corpo já está claro e a cabeça ainda escura. Ele é passivo porque não age: quem conduz a mudança é o menino branco, com o espelho e o sabão. O colonizado é retratado como objeto da ação europeia e sem autonomia. Por isso McClintock fala em "destino predeterminado": a civilização só viria pela tutela europeia e pelo consumo de mercadorias (os "fetiches" do sabão e do espelho).
Resposta: "metamorfose imperial" é a suposta transformação civilizatória do colonizado pelo imperialismo europeu; "híbrido racial passivo" é o colonizado retratado a meio caminho entre negro e branco, sem agência, dependente da ação do europeu.
c) Um fator de tensão entre britânicos e holandeses (bôeres/africâneres) foi a disputa pelo território e pelas riquezas minerais. Os bôeres descendiam de colonos holandeses estabelecidos no Cabo e, depois de o Reino Unido ocupar o Cabo (1806-1814), migraram para o interior (Grande Marcha) e fundaram Transvaal e Orange. Ali foram descobertos diamantes (1867) e ouro (1886), e os britânicos passaram a querer controlar essas regiões. A pressão britânica, somada à expansão para o interior, levou às Guerras dos Bôeres (1880-81 e 1899-1902). O Reino Unido venceu e anexou as repúblicas bôeres à União Sul-Africana, formada em 1910.
Resposta: a disputa entre britânicos e bôeres (holandeses) pelo controle do território e das minas de ouro e diamantes, que levou às Guerras dos Bôeres.
Assuntos: imperialismo na áfrica, racismo científico, guerras dos bôeres.
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