Questão F05 da 2ª fase da FUVEST 2025
O “efeito estilingue” é o nome que se dá à modificação do módulo e da direção da velocidade de uma espaçonave quando ela passa nas imediações de um planeta. Ele foi utilizado, por exemplo, para encurtar em mais de 5 anos a duração da viagem da sonda New Horizons até Plutão, passando por Júpiter. A figura ao lado ilustra o efeito em uma situação na qual uma sonda de massa 500 kg, viajando inicialmente para a direita, move-se em direção a um planeta de massa 2{,}0 \times 10^{27}\text{ kg} que viaja para a esquerda. Como a massa da sonda é desprezível frente à do planeta, a trajetória deste último praticamente não se altera, embora parte de sua energia cinética seja transferida para a sonda. Nos pontos A e B indicados na figura, as distâncias entre a sonda e o planeta são tais que a energia potencial gravitacional associada à interação entre eles pode ser desprezada.

a) No ponto A, a velocidade \vec{v}_A da sonda em relação ao Sol tem apenas componente x, dada por 20\text{ km/s}, enquanto essa velocidade no ponto B é \vec{v}_B, com componente x igual a -7\text{ km/s} e componente y igual a -24\text{ km/s}. De quanto foi o aumento no módulo da velocidade da sonda entre esses dois pontos?
b) Nas mesmas condições do item anterior, determine as componentes x e y do vetor variação da quantidade de movimento da sonda entre os pontos A e B, bem como a tangente do ângulo entre esse vetor e o eixo x.
c) Nas mesmas condições dos itens anteriores, qual é a razão entre a variação da energia cinética do planeta e sua energia cinética inicial? Suponha que o módulo da velocidade inicial do planeta, em relação ao Sol, fosse de 5\text{ km/s}. Despreze a variação da energia potencial gravitacional associada à interação da sonda e do planeta com o Sol durante o processo.
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Resolução comentada
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a) Como a energia potencial gravitacional entre a sonda e o planeta é desprezível em A e em B, basta comparar os módulos das velocidades nesses pontos.
Em A: v_A = 20\ \text{km/s}.
Em B: v_B=\sqrt{(-7)^2+(-24)^2}=\sqrt{49+576}=\sqrt{625}=25\ \text{km/s}.
O aumento no módulo da velocidade é 25-20 = 5\ \text{km/s}.
Aumento de 5\ \text{km/s} (de 20 para 25 km/s).
b) A variação da quantidade de movimento é \Delta\vec p = m(\vec v_B-\vec v_A), com m=500\ \text{kg}.
- Componente x: \Delta p_x = 500\,(-7\,000-20\,000) = -1{,}35\times10^{7}\ \text{kg·m/s}.
- Componente y: \Delta p_y = 500\,(-24\,000-0) = -1{,}2\times10^{7}\ \text{kg·m/s}.
A tangente do ângulo com o eixo x é a razão entre as componentes:
O vetor aponta para o terceiro quadrante, o que é coerente com o desvio da sonda para a esquerda e para baixo.
\Delta p_x=-1{,}35\times10^{7}\ \text{kg·m/s}, \Delta p_y=-1{,}2\times10^{7}\ \text{kg·m/s} e \tg\theta = 8/9\approx0{,}89.
c) Sem outras trocas de energia, o que a sonda ganha em energia cinética é exatamente o que o planeta perde.
Variação da energia cinética da sonda:
Portanto \Delta K_{planeta}=-5{,}625\times10^{10}\ \text{J}.
Energia cinética inicial do planeta, com v=5\ \text{km/s}:
A razão pedida é:
O sinal negativo indica que o planeta perde energia. A fração é desprezível, o que justifica dizer que a trajetória do planeta praticamente não se altera.
Razão \approx -2{,}25\times10^{-24} (o planeta perde essa fração da sua energia cinética).
Assuntos: conservação de energia, quantidade de movimento, energia cinética.
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