Questão H06 da 2ª fase da FUVEST 2024

2º dia · História

Indicadores Macroeconômicos Selecionados 1968 1969 1970 1971 1972 1973
Crescimento do PIB brasileiro (%) 9,8 9,5 10,4 11,3 11,9 14,0
Inflação brasileira (IGP, % a.a.) 25,5 19,3 19,3 19,5 15,7 15,5
População brasileira (mil habitantes) 88.337 90.733 93.139 95.551 97.975 100.417
Crescimento do PIB mundial (%) 4,5 6,0 3,4 3,7 4,7 5,9
Crescimento do PIB na América Latina (%) 6,9 7,1 6,9 6,7 6,9 8,4

Tabela elaborada a partir dos dados disponíveis em: GIAMBIAGI, F. et alii. (orgs.). Economia Brasileira Contemporânea. Rio de Janeiro: Campus, 2005, p. 247.

A partir dos indicadores macroeconômicos selecionados, responda:

a) Qual indicador da tabela justifica o argumento de que, à época, o Brasil vivia um “milagre econômico”?

b) Compare as taxas de crescimento do PIB brasileiro com as taxas de crescimento do PIB nos conjuntos “América Latina” e “mundial”, referidos na tabela, e caracterize o comportamento da inflação no período de 1968 a 1973.

c) Por que o chamado milagre econômico não foi acompanhado pelo aumento do poder aquisitivo das camadas sociais mais pobres? Indique dois motivos.

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a) O indicador que sustenta a ideia de "milagre" é o crescimento do PIB brasileiro. Ele ficou sempre perto de 10% ao ano ou acima disso, subindo de 9{,}8\% em 1968 para 14{,}0\% em 1973. Taxas assim, mantidas por seis anos seguidos, são excepcionais para qualquer economia.

Resposta: o crescimento do PIB brasileiro, de 9{,}8\% a 14{,}0\% ao ano.

b) O PIB brasileiro cresceu mais que o da América Latina e que o mundial em todos os anos da série. Na América Latina, as taxas ficaram entre 6{,}7\% e 8{,}4\%. No mundo, variaram entre 3{,}4\% e 6{,}0\%. A diferença fica maior em 1971-1973: em 1973, o Brasil teve 14{,}0\%, contra 8{,}4\% da América Latina e 5{,}9\% do mundo. O crescimento brasileiro, portanto, foi bem mais acelerado que o do seu entorno regional e o da economia global.

A inflação caiu ao longo do período, de 25{,}5\% em 1968 para 15{,}5\% em 1973. Ficou estável em torno de 19\% de 1969 a 1971 e recuou a partir de 1972. Mesmo assim, continuou em patamar elevado, na casa dos dois dígitos, apesar da tendência de queda.

Resposta: o PIB brasileiro cresceu sempre acima do latino-americano e do mundial, com diferença maior no final do período. A inflação foi alta, mas decrescente, de 25{,}5\% para 15{,}5\%.

c) Dois motivos:

  1. Arrocho salarial e concentração de renda. O governo militar controlava os reajustes salariais por meio de fórmulas oficiais que ficavam abaixo da inflação real, e reprimia os sindicatos. O salário mínimo perdeu poder de compra, enquanto os lucros e a renda das camadas altas e médias cresceram. A política de "fazer o bolo crescer para depois dividi-lo" não distribuiu os ganhos.
  2. Modelo de crescimento voltado a outros setores. O crescimento se apoiou em bens de consumo duráveis, para as camadas de renda mais alta, e em grandes obras de infraestrutura. O investimento social em saúde, educação e moradia foi pequeno. Além disso, a população crescia (de 88{,}3 para 100{,}4 milhões), e a inflação ainda alta corroía a renda dos mais pobres.

Resposta: o arrocho salarial com concentração de renda e um modelo de crescimento que priorizou consumo de elite e grandes obras, com pouco gasto social.

Assuntos: milagre econômico, ditadura militar, análise de indicadores econômicos.

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