Questão G01 da 2ª fase da FUVEST 2024

2º dia · Geografia

“O Censo Demográfico do ano de 2022, do IBGE, revela que há 1.327.802 (0,65% da população total do país) de indivíduos que pertencem a uma comunidade tradicional em todo o país. A maior parte dessa população, 68,2% (905 mil pessoas), vive nos estados do Nordeste brasileiro. Ao todo, os territórios desse grupo estão em 1.696 municípios. O estado da Bahia é a Unidade da Federação com maior quantidade de pessoas, com 29,90% da população, em seguida, vem o Maranhão, com 20,26% dessa população. É a primeira vez ao longo dos levantamentos censitários que este dado é incluído.”

Disponível em https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/. Adaptado.

a) Indique a qual comunidade tradicional o texto faz referência.

b) Aponte dois fatores que contribuem para a presença de 68,2% desse grupo na região Nordeste do Brasil.

c) Indique e explique um fator que contribui para a redução das áreas ocupadas por essas comunidades no Brasil atual.

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a) O texto trata da população quilombola. O Censo 2022 foi o primeiro a incluir esse dado: 1.327.802 pessoas (0,65% da população), das quais 68,2% estão no Nordeste, com Bahia e Maranhão à frente. Esses números batem com os do IBGE sobre quilombolas.

Resposta: comunidades quilombolas.

b) Dois fatores explicam a concentração no Nordeste:

  1. Fator histórico: o Nordeste foi a principal área da economia açucareira colonial e recebeu a maior parte dos africanos escravizados (Bahia e Pernambuco, por exemplo). Com isso, a formação de quilombos, de fugas e de resistência à escravidão foi mais intensa ali, e muitas comunidades descendem desses núcleos.
  2. Fator territorial e de permanência: a decadência de engenhos e fazendas e o abandono de terras, além de áreas de refúgio no interior, como o sertão e o Recôncavo, permitiram que as comunidades se fixassem e se mantivessem ao longo do tempo. Mesmo após a abolição, a população negra rural continuou em muitas dessas áreas.

Resposta: a herança da escravidão, com grande contingente de africanos e formação de quilombos na economia açucareira, e a permanência dessas populações em terras rurais de refúgio ou abandonadas.

c) Um fator importante é a expansão do agronegócio e da grande propriedade (soja, pecuária, eucalipto, mineração). Esse avanço pressiona as terras quilombolas, gerando grilagem, conflitos fundiários e expulsão de famílias. Além disso, a titulação dessas terras é lenta e burocrática, o que as deixa vulneráveis. Com isso, os territórios ocupados diminuem ou ficam fragmentados.

Resposta: a expansão do agronegócio e da grilagem sobre os territórios, agravada pela lentidão na titulação das terras, reduz as áreas quilombolas.

Assuntos: comunidades quilombolas, questão agrária, população brasileira.

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