Questão H03 da 2ª fase da FUVEST 2023

LOPES, David. “The destruction of the Kingdom of Kongo”. Civil Rights Journal (Vol. 6, Issue 1). p. 35. Winter 2002.
O reino do Congo se formou a partir da mistura, por meio de casamentos, de uma elite tradicional com uma elite nova, descendente dos estrangeiros que vieram do outro lado do rio. Isso ocorreu no início do século XV, e quando os portugueses a ele chegaram (o primeiro contato se deu em 1483), encontraram uma sociedade hierarquizada, com aglomerados populacionais que funcionavam como capitais regionais e uma capital central, na qual o mani Congo, como o obá do Benin e muitos outros chefes de grupos diversos, vivia em construções grandiosas, cercado de suas mulheres e filhos, conselheiros, escravos e ritos.
SOUZA, Marina de Mello e. África e Brasil africano. São Paulo: Ática, 2008. p. 38.
A partir da leitura da imagem e do texto, responda às questões a seguir:
a) De que forma a caracterização do reino do Congo como uma sociedade hierarquizada é representada na imagem?
b) Cite dois elementos da imagem que remetem a símbolos europeus de realeza.
c) Como a imagem representa as relações entre as nações europeias e os reinos africanos no início da Idade Moderna?
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Resolução comentada
Resolução comentada
a) A hierarquia aparece na disposição espacial das figuras. O mani Congo está sentado num tablado elevado, sob um dossel, com conselheiros e auxiliares em pé ao seu redor, no ponto mais alto da cena. Os súditos africanos ficam em plano inferior, no chão: alguns deitados e prostrados, outros com os braços erguidos em reverência. Assim, a imagem mostra o rei no topo, uma corte de nobres e conselheiros logo abaixo e, na base, a população que lhe presta submissão. Isso corresponde ao texto, que fala de um chefe cercado de conselheiros, familiares e ritos, numa sociedade hierarquizada com capital central.
Resposta: a hierarquia é mostrada pela elevação do rei no tablado com dossel e conselheiros ao redor, enquanto os súditos se prostram ou erguem os braços no plano inferior.
b) O artista, europeu, representou o rei africano com atributos da realeza europeia. Entre eles estão:
- a coroa na cabeça do rei;
- o cetro (ou bastão de comando) na mão;
- o trono e o dossel/baldaquino com cortinas, típicos das cortes da Europa;
- as vestes e o manto de aparência majestosa.
Basta citar dois desses elementos. Isso mostra que o gravurista traduziu o poder do mani Congo para a linguagem visual que conhecia.
Resposta: a coroa e o cetro (também valem o trono e o dossel).
c) A imagem representa relações de reconhecimento e respeito entre os dois lados, não de dominação colonial imediata. O rei do Congo é o centro da cena, em posição elevada, recebendo os portugueses como soberano. Os europeus aparecem em plano inferior, armados, mas em atitude cerimonial: um deles tira o chapéu em reverência. Isso indica que os reinos africanos eram tratados como Estados soberanos, com os quais Portugal negociava, em contatos diplomáticos e comerciais, a partir de 1483. A gravura, porém, é uma visão europeia, que idealiza o rei com símbolos da própria monarquia e mostra o poder militar português (soldados armados), sinal de uma relação que depois se tornaria desigual.
Resposta: como relações diplomáticas entre soberanos, com os portugueses reverenciando o rei do Congo, que os recebe em posição de superioridade.
Assuntos: reino do Congo, contato África-Europa, análise de imagem.
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