Questão H02 da 2ª fase da FUVEST 2023

2º dia · História

“Os operários não deviam ser proibidos de pensar. Na época do velho, o mineiro vivia como um animal, enterrado na mina, sem se dar conta do que acontecia. Por isso os ricos podiam chupar o sangue dos operários. Mas esses já estavam acordando. No fundo da terra germinava uma semente, e um belo dia os homens brotariam da terra, um exército de homens que viria restabelecer a justiça. Desde a Revolução Francesa todos os cidadãos não eram considerados iguais?”

ZOLA, Émile. Germinal. São Paulo: Companhia das Letras, 2008, p.58-59.

Com base na leitura do excerto do romance naturalista Germinal publicado na França em 1885,

a) indique um tema presente no excerto.

b) cite dois elementos que evidenciem as mudanças em curso na condição dos operários.

c) exponha duas razões pelas quais a Revolução Francesa é mencionada na denúncia das injustiças.

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a)

Um tema presente no excerto é a exploração dos trabalhadores na sociedade industrial. Ao afirmar que os ricos podiam “chupar o sangue dos operários”, o texto denuncia uma relação em que os proprietários enriqueciam à custa do trabalho e das condições precárias de vida dos mineiros. A imagem do trabalhador “enterrado na mina”, vivendo “como um animal”, reforça a denúncia da desumanização provocada por essa exploração.

Resposta: a exploração dos operários pelos proprietários na sociedade industrial.

b)

O primeiro elemento é o despertar da consciência dos operários, indicado pela afirmação de que eles “já estavam acordando”. Em contraste com o passado, quando o mineiro não percebia o que acontecia, os trabalhadores começavam a reconhecer a exploração e a questionar sua condição.

O segundo é a perspectiva de mobilização coletiva, expressa na imagem de um “exército de homens” que viria “restabelecer a justiça”. A metáfora aponta para a passagem da submissão à luta organizada, com os operários se reconhecendo como uma força capaz de transformar a sociedade.

Resposta: a tomada de consciência sobre a exploração e a perspectiva de organização coletiva para lutar por justiça.

c)

A primeira razão é a contradição entre a igualdade jurídica proclamada pela Revolução Francesa e a desigualdade social vivida pelos operários. A abolição dos privilégios do Antigo Regime e a afirmação da igualdade perante a lei não eliminaram a exploração econômica. Assim, o ideal revolucionário permite denunciar a distância entre os direitos proclamados e a realidade dos trabalhadores.

A segunda razão é o precedente de transformação da ordem social pela ação revolucionária. Ao romper com o absolutismo e os privilégios estamentais, a Revolução demonstrou que uma ordem considerada injusta poderia ser derrubada. Sua lembrança, portanto, fundamenta a expectativa de que a mobilização dos operários também pudesse produzir mudanças.

Resposta: a Revolução proclamou uma igualdade incompatível com as injustiças denunciadas e ofereceu um precedente de transformação social pela ação coletiva.

Assuntos: movimento operário, revolução francesa, desigualdade social.

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