Questão G03 da 2ª fase da FUVEST 2022
Observe os gráficos a seguir.

PIB – IBGE. “Geração de energia elétrica”. Revista FAPESP, edição 297, nov. 2020. Adaptado.
A partir dos dados apresentados,
a) apresente uma diferença entre a matriz energética do Brasil e da China.
b) aponte duas razões que dificultam ao Brasil assumir a liderança no ranking mundial de geração de energia elétrica por fontes renováveis.
c) explique duas razões para o aumento da produção de energia não renovável no Brasil entre 2011 e 2015.
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Resolução comentada
a) No Gráfico 2, o Brasil tem 82,6% de sua geração elétrica vinda de fontes renováveis, enquanto a China tem apenas 26,9%, valor próximo da média mundial (26,3%). Nas barras do Brasil, a hidrelétrica é predominante, seguida de eólica e biomassa (outras renováveis). A China tem uma matriz elétrica bem mais dependente de fontes não renováveis, sobretudo o carvão mineral, e isso está ligado ao tamanho do seu parque industrial e da sua demanda. Entre as renováveis chinesas, a hidrelétrica também lidera, mas pesa muito menos no total. O Brasil tem matriz elétrica majoritariamente renovável (82,6%, com forte base hidrelétrica), enquanto a da China é majoritariamente não renovável (renováveis em apenas 26,9%).
b) A Noruega lidera com 98,0%, quase toda hidrelétrica. O Brasil fica em 2º, com 82,6%, e para superá-la teria de reduzir a parcela não renovável (cerca de 17%). Duas razões:
- A dependência de hidrelétricas expõe a geração às variações de chuva. Em períodos de estiagem, os reservatórios baixam e é preciso acionar as termelétricas a gás, óleo e carvão. As hidrelétricas já estão instaladas nos rios de maior potencial, e os que restam, na Amazônia, trazem custos e impactos socioambientais elevados (alagamento de áreas, populações afetadas, biodiversidade), o que limita a expansão.
- A geração solar e eólica ainda tem peso pequeno no Brasil e depende de investimentos em linhas de transmissão, pois os polos de geração (Nordeste) são distantes dos centros de consumo (Sudeste). Além disso, a demanda cresce e o país mantém termelétricas de apoio, o que dificulta zerar a parcela não renovável.
Duas razões possíveis: a dependência das chuvas e a limitada expansão hidrelétrica (alto custo ambiental e social), e o baixo desenvolvimento de solar e eólica, que exigem investimento e transmissão.
c) No Gráfico 1, a geração não renovável passa de cerca de 70 TWh em 2011 (531,8 TWh no total, 87% renovável, ou seja, 13% não renovável) para cerca de 150 TWh em 2015 (581,2 TWh, 74% renovável, ou seja, 26% não renovável). Esse aumento está ligado a:
- Redução da geração hidrelétrica por causa de períodos de seca, sobretudo a crise hídrica de 2014-2015 no Sudeste, que baixou os reservatórios. A hidrelétrica caiu de cerca de 430 TWh em 2011 para cerca de 360 TWh em 2015.
- Acionamento mais intenso das usinas termelétricas (gás natural, óleo, carvão) para compensar a queda hidrelétrica e atender à demanda crescente, que passou de 531,8 para 581,2 TWh, com o consumo aumentando e a expansão da oferta renovável não acompanhando.
Queda da geração hidrelétrica por estiagem e acionamento das termelétricas para suprir a demanda crescente.
Assuntos: matriz energética, energia elétrica renovável, hidrelétricas e termelétricas.
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