Questão G03 da 2ª fase da FUVEST 2022

2º dia · Geografia

Observe os gráficos a seguir.

Dois gráficos sobre geração de energia elétrica. Gráfico 1: Geração de energia elétrica por tipo de fonte (Terawatts -hora TWh) e participação das fontes renováveis (%) no Brasil (2001-2019). Barras empilhadas representam Hidrelétrica, Outras renováveis e Não renováveis; a linha preta representa % renováveis. O eixo vertical esquerdo, Geração anual de energia elétrica (TWh), vai de 0 a 1.000, de 100 em 100; o direito, Participação de fontes renováveis (%), vai de 0 a 100, de 10 em 10. Para os anos 2001, 2003, 2005, 2007, 2009, 2011, 2013, 2015, 2017 e 2019, os totais indicados sobre as barras são, respectivamente, 328,5; 364,3; 403,0; 445,1; 466,2; 531,8; 570,8; 581,2; 589,3; 625,6, e os percentuais indicados na linha são 84; 87; 87; 88; 89; 87; 77; 74; 79; 83. Gráfico 2: Geração de energia elétrica por fontes renováveis. Barras horizontais empilhadas com legenda Hidrelétrica, Eólica, Solar e Outras renováveis. Os valores totais indicados são: Noruega, 98,0; BRASIL, 82,6; Canadá, 65,4; Suécia, 58,9; Alemanha, 41,6; Itália, 40,4; Reino Unido, 37,8; Espanha, 37,5; Argentina, 32,5; China, 26,9; MUNDO, 26,3; França, 20,1; Japão, 19,6; Índia, 19,0; México, 18,0; Rússia, 17,6; EUA, 17,3. As linhas de BRASIL e MUNDO têm fundo cinza.

PIB – IBGE. “Geração de energia elétrica”. Revista FAPESP, edição 297, nov. 2020. Adaptado.

A partir dos dados apresentados,

a) apresente uma diferença entre a matriz energética do Brasil e da China.

b) aponte duas razões que dificultam ao Brasil assumir a liderança no ranking mundial de geração de energia elétrica por fontes renováveis.

c) explique duas razões para o aumento da produção de energia não renovável no Brasil entre 2011 e 2015.

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Resolução comentada

a) No Gráfico 2, o Brasil tem 82,6% de sua geração elétrica vinda de fontes renováveis, enquanto a China tem apenas 26,9%, valor próximo da média mundial (26,3%). Nas barras do Brasil, a hidrelétrica é predominante, seguida de eólica e biomassa (outras renováveis). A China tem uma matriz elétrica bem mais dependente de fontes não renováveis, sobretudo o carvão mineral, e isso está ligado ao tamanho do seu parque industrial e da sua demanda. Entre as renováveis chinesas, a hidrelétrica também lidera, mas pesa muito menos no total. O Brasil tem matriz elétrica majoritariamente renovável (82,6%, com forte base hidrelétrica), enquanto a da China é majoritariamente não renovável (renováveis em apenas 26,9%).

b) A Noruega lidera com 98,0%, quase toda hidrelétrica. O Brasil fica em 2º, com 82,6%, e para superá-la teria de reduzir a parcela não renovável (cerca de 17%). Duas razões:

  1. A dependência de hidrelétricas expõe a geração às variações de chuva. Em períodos de estiagem, os reservatórios baixam e é preciso acionar as termelétricas a gás, óleo e carvão. As hidrelétricas já estão instaladas nos rios de maior potencial, e os que restam, na Amazônia, trazem custos e impactos socioambientais elevados (alagamento de áreas, populações afetadas, biodiversidade), o que limita a expansão.
  2. A geração solar e eólica ainda tem peso pequeno no Brasil e depende de investimentos em linhas de transmissão, pois os polos de geração (Nordeste) são distantes dos centros de consumo (Sudeste). Além disso, a demanda cresce e o país mantém termelétricas de apoio, o que dificulta zerar a parcela não renovável.

Duas razões possíveis: a dependência das chuvas e a limitada expansão hidrelétrica (alto custo ambiental e social), e o baixo desenvolvimento de solar e eólica, que exigem investimento e transmissão.

c) No Gráfico 1, a geração não renovável passa de cerca de 70 TWh em 2011 (531,8 TWh no total, 87% renovável, ou seja, 13% não renovável) para cerca de 150 TWh em 2015 (581,2 TWh, 74% renovável, ou seja, 26% não renovável). Esse aumento está ligado a:

  1. Redução da geração hidrelétrica por causa de períodos de seca, sobretudo a crise hídrica de 2014-2015 no Sudeste, que baixou os reservatórios. A hidrelétrica caiu de cerca de 430 TWh em 2011 para cerca de 360 TWh em 2015.
  2. Acionamento mais intenso das usinas termelétricas (gás natural, óleo, carvão) para compensar a queda hidrelétrica e atender à demanda crescente, que passou de 531,8 para 581,2 TWh, com o consumo aumentando e a expansão da oferta renovável não acompanhando.

Queda da geração hidrelétrica por estiagem e acionamento das termelétricas para suprir a demanda crescente.

Assuntos: matriz energética, energia elétrica renovável, hidrelétricas e termelétricas.

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