Questão B05 da 2ª fase da FUVEST 2021

2º dia · Biologia

Analise a resposta imunológica à infecção do organismo pelo coronavírus do tipo SARS-CoV-2, associado à COVID-19, a variação na quantidade de vírus no organismo, os sintomas (quando presentes) e as possibilidades de diagnóstico da infecção por dois métodos (X e Y) ao longo de 20 dias após a infecção.

Esquema da resposta imune e gráfico da infecção por SARS-CoV-2 ao longo do tempo. À esquerda, a resposta imune: de 0 a 12 horas, infecção do epitélio pulmonar por SARS-CoV-2 e ação de fagócitos; de 7 a 20 dias, proliferação de linfócitos B e produção de anticorpos contra o vírus. À direita, gráfico relacionando dias após a infecção (de 0 a mais de 20 dias): a curva contínua representa a quantidade de vírus no organismo, com pico no dia 5 (marcado por uma linha tracejada com a legenda "Término da febre e início de outros sintomas") e decrescendo até o dia 15; o período indicado para o método Y estende-se do dia 1 ao 14; a curva tracejada representa a eficácia do diagnóstico pelo método X, iniciando após o 7º dia e atingindo o nível máximo a partir do 20º dia.

Abbas, et al. Imunologia Celular e Molecular, 2011, e J. Bras. Patol. Med. Lab., https://doi.org/10.5935/1676-2444.20200049. Adaptados.

a) Cite uma função da febre nos primeiros 5 dias da infecção por SARS-CoV-2.

b) Dos métodos citados, identifique e justifique aquele mais indicado para o diagnóstico da infecção por SARS-CoV-2 pela presença de anticorpos. Segundo o gráfico apresentado, em qual dia após a infecção o diagnóstico será mais preciso utilizando este método?

c) A resposta imunológica à infecção por SARS-CoV-2 pode causar inflamação pulmonar. Isso resulta em acúmulo de líquido nos pulmões, o que prejudica a troca gasosa, diminuindo a saturação de oxigênio no sangue. Como o acúmulo de líquidos nos pulmões interfere na troca gasosa? O que acontece com o pH do sangue quando ocorre diminuição da saturação de oxigênio?

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Resolução comentada

a) A febre é uma resposta do sistema imune inato: o aumento da temperatura corporal dificulta a multiplicação do vírus, que se replica melhor na temperatura normal. Ela também estimula a atividade dos leucócitos, como os fagócitos, e a produção de substâncias de defesa, o que favorece o combate à infecção.

Resposta: a febre dificulta a replicação viral e estimula as células de defesa (fagócitos).

b) Os anticorpos são produzidos pelos linfócitos B (plasmócitos) após a proliferação dessas células, que o esquema mostra entre 7 e 20 dias da infecção. Por isso, o método que detecta anticorpos é o X: sua eficácia só começa depois do 7º dia e cresce com o aumento dos anticorpos no sangue. O método Y é eficaz do dia 1 ao 14, acompanhando a curva da quantidade de vírus. Ele detecta o próprio vírus (material genético ou antígenos), não anticorpos.

No gráfico, a curva do método X atinge o nível máximo a partir do 20º dia, quando o diagnóstico é mais preciso.

Resposta: método X, porque detecta os anticorpos produzidos pelos linfócitos B após cerca de 7 dias; o diagnóstico é mais preciso a partir do 20º dia.

c) O líquido que se acumula nos alvéolos aumenta a distância e a barreira que o \ce{O2} precisa atravessar por difusão até chegar aos capilares. O ar também ocupa menos espaço nos alvéolos, o que reduz a superfície efetiva de contato com o sangue. Com isso entra menos \ce{O2} no sangue e a saída de \ce{CO2} também fica prejudicada.

O \ce{CO2} acumulado reage com a água do plasma, formando ácido carbônico, que libera \ce{H+}:

\ce{CO2 + H2O <=> H2CO3 <=> H+ + HCO3-}

O aumento de \ce{H+} faz o pH do sangue diminuir (acidose).

Resposta: o líquido aumenta a barreira de difusão e diminui a superfície de troca, reduzindo a entrada de \ce{O2} e a saída de \ce{CO2}; o pH do sangue diminui (acidose).

Assuntos: sistema imunológico, trocas gasosas, equilíbrio ácido-base do sangue.

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