Questão 3 (1º dia) da 2ª fase da FUVEST 2021

1º dia · Português

Examine a capa e o texto extraídos de uma revista para responder à questão.

Capa da revista SUPER INTERESSANTE, com o título da revista em branco sobre uma faixa vermelha. Um homem de camiseta preta segura um smartphone diante do rosto; feixes luminosos saem da tela em direção ao rosto, que aparece distorcido e puxado para o aparelho. Na parte inferior, lê-se “SMARTPHONE – O NOVO CIGARRO”.

Fumar era normal. As pessoas acendiam o primeiro cigarro logo ao acordar, e repetiam o gesto dezenas de vezes durante o dia, em absolutamente todos os lugares: lojas, restaurantes, escritórios, consultórios, aviões (tinha gente que fumava até no chuveiro). Ficar sem cigarro, nem pensar – tanto que ir sozinho comprar um maço para o pai ou a mãe, na padaria da esquina, era um rito de passagem para muitas crianças. Olhamos para trás e nos surpreendemos ao perceber como as pessoas se deixavam escravizar, aos bilhões, por algo tão nocivo. Enquanto fazemos isso, porém, vamos sendo dominados por um vício ainda mais onipresente: o smartphone. Vivemos grudados em nossos smartphones porque eles são úteis e divertidos. Mas o que pouca gente sabe é o seguinte: por trás dos ícones coloridos e apps de nomes engraçadinhos, as gigantes da tecnologia fazem um esforço consciente para nos manipular, usando recursos da psicologia, da neurologia e até dos cassinos. “O smartphone é tão viciante quanto uma máquina caça-níqueis”, diz o americano Tristan Harris. E o caça-níqueis, destaca ele, é o jogo que mais causa dependência: vicia três a quatro vezes mais rápido que outros tipos de aposta. “Quando desbloqueamos o celular e deslizamos o dedo para atualizar nosso e-mail ou ver a foto seguinte numa rede social, estamos jogando caça-níqueis com o smartphone”, afirma Harris.

B. Garattoni e E. Szklarz, “Smartphone – o novo cigarro”. Adaptado.

a) Qual a relação de sentido entre a imagem da capa e a manchete “Smartphone – o novo cigarro”?

b) De acordo com o texto de Garattoni e Szklarz, explique por que o vício em smartphone é mais parecido com o vício em caça-níqueis do que com o vício em cigarro.

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a) A manchete compara o smartphone ao cigarro, ou seja, afirma que ele é uma dependência nociva, como o cigarro foi. A imagem reforça essa ideia de forma visual. A luz que sai da tela se projeta sobre o rosto do rapaz, que aparece distorcido e como se fosse puxado ou sugado para dentro do aparelho. A cena sugere que o usuário perde o controle e é dominado pelo celular. Os feixes luminosos lembram a fumaça do cigarro, que também é inalada e prejudica quem a consome. O rosto deformado e a pose curvada indicam o dano e a submissão do usuário. A capa, portanto, ilustra e dá corpo à metáfora da manchete: o celular vicia e escraviza como o cigarro.

Resposta: a imagem ilustra a manchete, mostrando o usuário sugado e deformado pela luz da tela, como vítima de um vício nocivo, tal qual o do cigarro.

b) O texto compara o cigarro ao smartphone para mostrar que ambos escravizam. A semelhança com o caça-níqueis, porém, está no mecanismo do vício. O cigarro vicia por uma substância química que o fumador procura de modo explícito. O celular é útil e divertido, e as empresas de tecnologia o projetam de forma deliberada para manipular o usuário, com recursos da psicologia, da neurologia e dos cassinos. Isso faz o usuário repetir sem perceber um gesto que oferece uma pequena recompensa incerta. Ao desbloquear a tela e deslizar o dedo para atualizar o e-mail ou ver a foto seguinte, a pessoa age como quem puxa a alavanca do caça-níqueis: não sabe o que virá e continua tentando. Segundo Tristan Harris, esse jogo é o que mais causa dependência, pois vicia três a quatro vezes mais rápido que outras apostas. Assim, o vício em celular se parece mais com o do caça-níqueis, que é planejado e baseado na expectativa de recompensa, do que com o do cigarro.

Resposta: porque o celular, como o caça-níqueis, é desenhado para viciar por recompensa e expectativa (deslizar o dedo para ver o que vem), manipulando o usuário.

Assuntos: interpretação de texto, relação entre imagem e texto, intertextualidade e comparação.

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