Questão H06 da 2ª fase da FUVEST 2020

2º dia · História

Em 29 de outubro de 1956, uma grave crise política descambou em uma intervenção militar na região do Canal de Suez e da Península do Sinai (Egito).

a) Indique a importância dessa região nos quadros da política internacional do período.

b) Mencione as potências envolvidas diretamente nesse conflito e os seus respectivos interesses.

c) Explique as tensões associadas à articulação política entre os diversos Estados árabes nesse período.

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Resolução comentada

a) O Canal de Suez liga o Mediterrâneo ao Mar Vermelho e ao Índico, encurtando a rota entre a Europa e a Ásia. Em 1956 era a principal via de escoamento do petróleo do Golfo Pérsico para a Europa Ocidental, o que o tornava vital para a economia de Grã-Bretanha e França. Era também um ponto estratégico na Guerra Fria: a região do Oriente Médio e o Sinai estavam na disputa de influência entre EUA e URSS, e o Egito de Nasser se aproximava dos soviéticos (compra de armas tchecas, em 1955). A zona do Canal, antes controlada pela Companhia do Canal de Suez (capital anglo-francês), simbolizava ainda o fim do domínio colonial na região.

Resposta: o Canal era rota vital do petróleo e do comércio, estratégica para a Europa e disputada na Guerra Fria.

b) A crise começou com a nacionalização do Canal por Nasser (julho de 1956), após EUA e Grã-Bretanha retirarem o financiamento da represa de Assuã. Envolveram-se diretamente:

  • Egito: queria o controle soberano do Canal e suas receitas para financiar o desenvolvimento (Assuã) e afirmar a independência nacional e o nacionalismo árabe.
  • Grã-Bretanha e França: queriam recuperar o controle do Canal e dos investimentos da Companhia, garantir o fluxo de petróleo, derrubar Nasser e conter sua influência; a França também o acusava de apoiar a independência da Argélia.
  • Israel: invadiu o Sinai em 29 de outubro, em acordo secreto com franceses e britânicos, para garantir a navegação pelo estreito de Tiran e pelo Canal, e acabar com os ataques de guerrilheiros (fedayin) a partir do Egito e de Gaza.

EUA e URSS não combateram, mas pressionaram pelo cessar-fogo; os dois rejeitaram a ação, e a retirada foi imposta, com tropas da ONU.

Resposta: Egito, Grã-Bretanha, França e Israel, com os interesses acima.

c) Nos anos 1950 predominava o pan-arabismo, liderado por Nasser, que defendia a união política dos árabes contra o imperialismo e contra Israel. A vitória política de Nasser em Suez aumentou seu prestígio e levou à União com a Síria (República Árabe Unida, 1958). Mas havia fortes tensões: monarquias conservadoras e pró-ocidentais (Arábia Saudita, Jordânia, Iraque hachemita) temiam o republicanismo e o socialismo nasseristas e disputavam a liderança regional; havia rivalidades dinásticas e nacionais, e diferenças quanto ao alinhamento na Guerra Fria (Pacto de Bagdá, apoiado por britânicos e americanos, contra a aproximação com a URSS). Além disso, a questão palestina, após a criação de Israel (1948) e a derrota árabe, unia discursivamente os Estados, mas os governos agiam conforme seus interesses próprios, o que dificultava a ação conjunta.

Resposta: o pan-arabismo de Nasser esbarrava na rivalidade entre repúblicas nacionalistas e monarquias pró-ocidentais e nos interesses nacionais distintos.

Assuntos: crise de suez, guerra fria, pan-arabismo.

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