Questão 9 (1º dia) da 2ª fase da FUVEST 2020

1º dia · Português

Observe as seguintes capas que o artista Santa Rosa desenhou para o livro Angústia, de Graciliano Ramos:

Capa da 2a edição, 1941

Capa da 2ª edição de Angústia (1941), ilustrada por Santa Rosa, exibindo um homem de costas conversando com uma mulher através de uma cerca de madeira.

Capa da 3a edição, 1947

Capa da 3ª edição de Angústia (1947), ilustrada por Santa Rosa, mostrando a figura de um homem deitado, com expressão de agonia, pavor e mãos erguidas.

a) Comente o episódio figurado na capa de 1941, analisando a posição de Luís da Silva na cena.

b) Comente o episódio figurado na capa de 1947, analisando a posição de Luís da Silva na cena.

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Resolução comentada

a) A capa de 1941 mostra um homem de costas diante de uma cerca, conversando com uma mulher. É o episódio em que Luís da Silva, funcionário público e escritor frustrado, vê Marina, a vizinha, pelo quintal e pela cerca que separa as casas. Ali nasce a paixão, e depois o noivado, que Luís alimenta com o dinheiro que lhe entrega para o enxoval.

A posição de Luís é a de quem observa e deseja de fora. Ele está de costas e do lado de cá da cerca. Isso sugere o seu isolamento, a sua timidez e a sua condição de sujeito inferiorizado e inseguro, que se aproxima da mulher sem de fato ter acesso a ela. A cerca é uma barreira simbólica, que antecipa a traição de Marina com Julião Tavares, homem rico e prestigiado, e a humilhação de Luís. Ele é o pobre, o pretendente que será passado para trás.

Resposta final: Luís aparece como o vizinho que corteja Marina pela cerca, de costas e do lado de fora, o que indica a distância, a inferioridade social e a futura frustração dele.

b) A capa de 1947 mostra um homem deitado, em pavor, com as mãos erguidas. Retrata o delírio de Luís da Silva depois de ter assassinado Julião Tavares, estrangulando-o com uma corda. Ele fica doente, febril, com alucinações, e é tomado pela culpa e pelo medo de ser descoberto. Revive o crime, vê a corda, o corpo e a cobra, e a narrativa se desorganiza, misturando passado e presente.

A posição de Luís é agora a de sujeito aniquilado e fragilizado, dominado pela própria consciência. Ele já não observa o outro: é o criminoso perseguido por si mesmo, imobilizado na cama, sem controle sobre as imagens que o atormentam. Isso mostra o desfecho de um processo de degradação psicológica, em que o ressentimento, a inveja e a angústia, antes contidos, culminam na violência e no colapso.

Resposta final: Luís aparece deitado e em delírio depois de matar Julião Tavares, atormentado pela culpa e pelo medo, num estado de total desagregação psicológica.

Assuntos: angústia (graciliano ramos), literatura brasileira modernista, relação entre imagem e texto.

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