Questão H01 da 2ª fase da FUVEST 2019
O período do governo Juscelino Kubitschek (1956-1960) é uma referência positiva no imaginário político brasileiro. Não por acaso ele é denominado de “Anos Dourados”. As transformações implementadas nesse período suscitaram desafios e impasses.
A partir destas considerações,
a) caracterize a política econômica adotada no referido período;
b) explique qual foi o papel do Estado e cite uma diretriz implementada por aquele governo;
c) indique de que maneira as transformações implementadas por esse governo repercutiram nas migrações populacionais internas.
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Resolução comentada
a) O governo JK seguiu o desenvolvimentismo, sintetizado no lema "50 anos em 5" e concretizado no Plano de Metas. O plano fixou 31 metas, concentradas em energia, transportes, alimentação, indústria de base e educação, além da meta-síntese, Brasília.
A estratégia buscava industrializar o país depressa, com ênfase na indústria de bens de consumo duráveis, em especial a automobilística. Para isso, apoiou-se no tripé formado por capital estatal, capital privado nacional e capital estrangeiro. Atraiu-se o capital externo com incentivos, como a Instrução 113 da SUMOC, que facilitava a importação de máquinas sem cobertura cambial. O custo foi o aumento da dívida externa, da inflação e da dependência em relação ao capital estrangeiro.
A política econômica foi desenvolvimentista, de industrialização acelerada, baseada no Plano de Metas e na associação entre capital estatal, privado nacional e estrangeiro.
b) O Estado atuou como planejador, indutor e financiador do desenvolvimento. Ele criou a infraestrutura necessária à indústria, por meio de investimentos em energia (hidrelétricas como Furnas e Três Marias), siderurgia e rodovias. Concedeu crédito e incentivos fiscais e cambiais ao setor privado, e ainda garantiu o clima político para o investimento estrangeiro. Para coordenar tudo isso, criou órgãos como o Conselho de Desenvolvimento e a SUDENE (1959), voltada ao Nordeste.
Uma diretriz implementada foi a abertura à entrada de multinacionais, sobretudo da indústria automobilística, com incentivos e facilidades (Instrução 113). Outra foi a prioridade ao transporte rodoviário, com a construção de estradas, e a transferência da capital para Brasília.
O Estado foi planejador e indutor da industrialização, investindo em infraestrutura e atraindo capital privado, e uma diretriz foi o Plano de Metas, com a abertura ao capital estrangeiro (ou a construção de rodovias e de Brasília).
c) A industrialização concentrada no Sudeste, em particular na região do ABC paulista, e a construção de Brasília criaram muitos empregos na indústria e na construção civil. Isso estimulou fortes migrações internas. Milhares de nordestinos e mineiros, expulsos pela seca e pela estrutura agrária concentrada, partiram para as cidades do Sudeste e para o Planalto Central. Os migrantes que foram para Brasília ficaram conhecidos como candangos.
O resultado foi o êxodo rural, a aceleração da urbanização e o crescimento desordenado das metrópoles, com favelas e periferias. As novas rodovias facilitaram esses deslocamentos, e o Centro-Oeste passou a ser ocupado de forma mais intensa.
Houve intenso êxodo rural e migração do Nordeste e de Minas para o Sudeste industrial e para Brasília, com urbanização acelerada e crescimento desordenado das cidades.
Assuntos: governo juscelino kubitschek, plano de metas, migrações internas.
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