Questão H04 da 2ª fase da FUVEST 2018

3º dia · História

Migrar, portanto, tem sempre um sentido ambíguo – como uma imposição das condições econômicas e sociais ou ambientais – e, nesse caso, ela aparece no mais das vezes como um dos mais fortes elementos que explicariam uma destinação do ser nordestino, mas também como uma escolha contra a miséria e a pobreza da vida no sertão. Migrar é, em última instância, dizer não à situação em que se vive, é pegar o destino com as próprias mãos, resgatar sonhos e esperanças de vida melhor ou mesmo diferente. O problema está no fato de que, numa vasta produção discursiva, retirou-se do migrante a sua condição de sujeito, como se migrar não fosse uma escolha, como se ele não tivesse vontade própria. Migrar pode ser entendido como estratégia não só para minimizar as penúrias do cotidiano, mas também para buscar um lugar social onde se possa driblar a exclusão pretendida pelas elites brasileiras através de seus projetos modernizantes.

Isabel C. M. Guillen. Seca e migração no Nordeste: Reflexões sobre o processo de banalização de sua dimensão histórica. Trabalhos para Discussão nº 111. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, 2001. Adaptado.

a) Cite uma obra literária e um filme que tenham tratado do fenômeno mencionado no texto.

b) Identifique as motivações dos fluxos migratórios de nordestinos para a região Norte, na segunda metade do século XIX, e para a região Sudeste, na segunda metade do século XX.

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a) O texto trata da migração de nordestinos, ligada à seca e à pobreza do sertão, e critica a imagem do migrante como alguém sem vontade própria. Essa migração foi tema de várias obras.

Na literatura, o exemplo mais clássico é Vidas Secas (1938), de Graciliano Ramos. O romance acompanha a família de Fabiano, que foge da seca e vive sob a exploração do patrão e das autoridades locais. Também servem O Quinze (1930), de Rachel de Queiroz, e Morte e Vida Severina (1955), de João Cabral de Melo Neto.

No cinema, o exemplo mais direto é Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos, adaptação do romance e obra do Cinema Novo. Outra opção é Central do Brasil (1998), de Walter Salles, que mostra a ida de nordestinos para o Sudeste.

Obra literária: Vidas Secas, de Graciliano Ramos; filme: Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos (ou Central do Brasil).

b) Na segunda metade do século XIX, o fluxo para o Norte, sobretudo para a Amazônia, esteve ligado ao ciclo da borracha. A extração do látex exigia muita mão de obra, e a região, pouco povoada, atraiu os nordestinos. Eles também fugiam da grande seca de 1877-1879, que devastou o sertão. Muitos viraram seringueiros, endividados com os patrões pelo sistema de aviamento.

Na segunda metade do século XX, o fluxo para o Sudeste, principalmente para São Paulo e Rio de Janeiro, teve duas motivações. A primeira foi a busca de emprego na indústria e na construção civil, em expansão com a industrialização acelerada dos governos JK e do regime militar. A segunda foi a pobreza do campo nordestino, marcada por secas, concentração fundiária e poucas oportunidades. Muitos também foram trabalhar na construção de Brasília, em 1956-1960.

Século XIX, Norte: boom da borracha e fuga da seca de 1877-79. Século XX, Sudeste: empregos na industrialização e fuga da miséria e da seca no campo nordestino.

Assuntos: migração nordestina, ciclo da borracha, industrialização e êxodo rural.

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