Questão H01 da 2ª fase da FUVEST 2017

3º dia · História

Planta do 'Projeto de novo aposento para os índios da Aldeia de São Miguel, na margem do rio Guaporé, feito no mês de dezembro de 1765', mostrando uma organização ortogonal e geométrica com praça central, igreja, sacristia, casa do padre, casa para o diretor, paiol, engenho e blocos regulares de habitações indígenas.

Esta planta foi elaborada no contexto da nova política estabelecida pela Coroa portuguesa para suas possessões na América, durante o chamado período pombalino (1750-1777). A partir dela,

a) identifique dois elementos que contrastam a organização espacial das comunidades indígenas com a organização espacial proposta pelos poderes coloniais;

b) descreva as principais diretrizes políticas e culturais do projeto pombalino para a população indígena da América.

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a) A planta mostra uma aldeia em traçado ortogonal. Os blocos de casas são retangulares, alinhados em fileiras paralelas e voltados para uma praça central, com a frente para o rio. Há também edifícios com funções definidas: igreja, sacristia, casa do padre, casa do diretor, paiol e engenho de açúcar.

As aldeias indígenas tradicionais tinham outra lógica. Muitas vezes as malocas eram dispostas em círculo ou ferradura em torno de um pátio central, que servia a rituais e decisões coletivas. Eram moradias coletivas, abrigando várias famílias. A organização espacial seguia a cosmologia e as relações de parentesco do grupo.

Dois contrastes que podem ser apontados:

  1. Geometria e ordenação: o traçado retilíneo, regular e controlável do projeto contrasta com a disposição circular das aldeias indígenas.
  2. Presença de instituições coloniais: a igreja, a casa do diretor (representante do poder da Coroa) e o paiol e engenho (produção voltada ao excedente e ao comércio) ocupam o centro da aldeia. Moradias individualizadas por família substituem as casas coletivas, e o espaço ritual indígena cede lugar à praça e à igreja.

Resposta: o traçado geométrico e retilíneo, com habitações em blocos padronizados, contra a disposição circular e comunal das aldeias indígenas; e a presença de igreja, casa do diretor, paiol e engenho como centros de controle religioso, político e econômico.

b) O projeto pombalino buscava integrar o indígena à sociedade colonial e reforçar o domínio português, sobretudo nas fronteiras, como o Guaporé, disputado com a Espanha após o Tratado de Madri (1750).

No plano político, o Diretório dos Índios (1757) retirou o poder temporal dos missionários, em especial dos jesuítas, expulsos em 1759. As aldeias passaram a ser administradas por diretores leigos, nomeados pela Coroa, e foram transformadas em vilas e lugares com nomes portugueses. Os indígenas foram declarados livres e vassalos do rei, com a proibição formal de sua escravização. Eram incentivados a trabalhar em atividades agrícolas e comerciais, produzindo para o mercado e pagando tributos, além de servirem como mão de obra assalariada. Os casamentos com colonos portugueses eram estimulados, para povoar e defender o território.

No plano cultural, buscava-se a assimilação. O uso do português foi tornado obrigatório e o das línguas nativas e da língua geral, proibido. Impunham-se os nomes e sobrenomes portugueses, a vestimenta, a moradia em casas individuais e a catequese católica, com a rejeição dos costumes e das crenças indígenas.

Resposta: a Coroa retirou o poder dos jesuítas e instituiu o Diretório, com diretores leigos; declarou os indígenas livres, mas os integrou como vassalos e trabalhadores, e impôs a língua portuguesa, a moradia e os costumes europeus, para assimilá-los e garantir as fronteiras.

Assuntos: período pombalino, política indigenista colonial, diretório dos índios.

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