Questão H02 da 2ª fase da FUVEST 2013

3º dia · História

Representando apenas 19,6% das exportações brasileiras em 1822 (com a média de 18,4% nos anos 1820), o café passou a liderar as exportações brasileiras na década dos 1830 (com 28,6%), assumindo assim o lugar tradicionalmente ocupado pelo açúcar desde o período colonial. Nos meados do século XIX, passava a representar quase a metade do valor das exportações e, no último decênio do período monárquico, alcançava 61,5%. Já a participação do açúcar no quadro dos valores das exportações brasileiras passou de 30,1%, na década de 1820, a apenas 9,9%, nos anos 1880. O algodão alcançava 20,6%, na década de 1820, cifra jamais alcançada depois, em todo o período monárquico. Com exceção dos anos da guerra civil americana, que se refletiram na elevada participação do produto no conjunto das exportações dos anos 1870 (18,3%), verifica-se o declínio das exportações que, nos anos 1880, têm uma participação de apenas 4,2%. O comportamento das exportações de fumo revela que essas oscilaram em torno de baixas percentagens, durante todo o período monárquico. Alcançando 2,5% do valor global das exportações na década de 1820, decaiu, nas duas décadas seguintes (1,9% para os anos 1830 e 1,8% para os anos 1840). Na segunda metade do século, melhorou a posição do fumo no conjunto das exportações, tendo alcançado, nos anos 1860 e 1870, as maiores percentagens do período, com 3% e 3,4%. A participação do cacau no conjunto das exportações nacionais cresceu de 0,5% na década de 1820 para 1,6% na última década da monarquia, a mais alta porcentagem do período.

Sérgio Buarque de Holanda (org.). História geral da civilização brasileira. II.
O Brasil Monárquico. 4. Declínio e queda do império.
Rio de Janeiro: Difel, 1985, p. 119-126. Adaptado.

Com base no texto, responda ao que se pede:

a) Elabore um gráfico das exportações brasileiras de café, açúcar e algodão no período monárquico, incluindo os respectivos dados percentuais (aproximados).

b) Qual foi o principal produto de exportação brasileiro, respectivamente, nas décadas de 1820, 1830 e 1880?

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Resolução comentada

a) Primeiro, reunimos no texto os percentuais de cada produto no valor total das exportações, por década (aproximados):

  1. Café: 1820: 18,4% (em 1822: 19,6%); 1830: 28,6%; meados do século XIX: quase 50%; 1880: 61,5%.
  2. Açúcar: 1820: 30,1%; 1880: 9,9%.
  3. Algodão: 1820: 20,6%; 1870: 18,3% (efeito da guerra civil americana); 1880: 4,2%.

O gráfico mais adequado é de linhas, com as décadas (1820, 1830, 1850, 1870, 1880) no eixo horizontal e a porcentagem das exportações (0 a 70%) no eixo vertical. O ideal é traçar três linhas, uma para cada produto, marcando os pontos acima:

  • Café: curva ascendente, de cerca de 18% a cerca de 60%.
  • Açúcar: curva descendente, de 30% a cerca de 10%.
  • Algodão: queda de 20% para valores baixos, com um pico em 1870 (18%) e nova queda para 4% em 1880.

O gráfico mostra o café superando o açúcar e o algodão ao longo do Império. Deve ter título, legenda e eixos identificados. Os dados das décadas que o texto não informa não devem ser inventados; basta ligar os pontos conhecidos.

Gráfico de linhas com café subindo de cerca de 18% (1820) a 61,5% (1880), açúcar caindo de 30,1% a 9,9% e algodão caindo de 20,6% a 4,2%, com pico de 18,3% em 1870.

b) Comparamos os percentuais em cada década:

  • 1820: açúcar com 30,1%, contra 20,6% do algodão e 18,4% do café. O açúcar liderava.
  • 1830: o café chega a 28,6% e passa a liderar, tomando o lugar do açúcar, como diz o texto.
  • 1880: o café tem 61,5%, muito acima dos demais (açúcar com 9,9% e algodão com 4,2%).

Açúcar (1820), café (1830) e café (1880).

Assuntos: economia do império, exportações brasileiras, leitura de gráficos.

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