Questão H06 da 2ª fase da FUVEST 2012

3º dia · História

O cartaz abaixo, parte de uma campanha sindical pela redução da jornada diária de trabalho, foi divulgado em 1919 pela União Interdepartamental da Confederação Geral dos Trabalhadores da Região do Sena, na França.

Cartaz sindical francês de 1919 com o título "UNION DES SYNDICATS OUVRIERS DE LA SEINE", apresentando a imagem de um grande número 8 no centro, sendo a parte inferior formada pelo mostrador de um relógio marcando 8 horas. Letras formam a palavra "APPLIQUER" ao redor do mostrador, cujos ponteiros são puxados em direções opostas por cordas seguradas por trabalhadores à esquerda e burgueses/patrões à direita.

http://lewebpedagogique.com/ericdarrasse/category/non-classe.

Tradução dos escritos do cartaz: “União dos Sindicatos de Trabalhadores do Sena”. “As 8 horas”. “Operário, a regra foi aprovada, mas apenas sua ação a fará ser aplicada”.

a) Identifique um elemento visual no cartaz que caracterize a principal reivindicação dos sindicatos e o explique.

b) Identifique e analise a visão de luta social que a cena principal do cartaz apresenta.

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Resolução comentada

a) O elemento mais evidente é o grande número 8, cuja metade inferior é um relógio marcando 8 horas. Ele é a síntese visual da reivindicação central: a jornada de oito horas diárias. As palavras "Les 8 heures" e "Appliquer les 8 heures" reforçam o sentido. O relógio simboliza o controle do tempo de trabalho, que na indústria era determinado pelo patrão. Esse tempo era longo, de 10 a 12 horas ou mais, e os sindicatos queriam limitá-lo. As fábricas com chaminés ao fundo situam a demanda no mundo industrial. O texto diz que a regra foi aprovada, pois a lei francesa das oito horas é de 1919, mas só a ação operária a fará ser aplicada. O número 8 formado pelo relógio marcando 8 horas representa a reivindicação da jornada de oito horas diárias.

b) Na cena principal, trabalhadores à esquerda e burgueses/patrões à direita puxam em direções opostas cordas ligadas aos ponteiros do relógio. A imagem é um cabo de guerra. Ela traz uma visão da luta social como conflito de classes, com interesses antagônicos: os operários querem reduzir a jornada, e os patrões querem mantê-la ou ampliá-la para preservar a produção e o lucro. O resultado depende da força de cada lado. Por isso o cartaz convoca o operário: a lei, por si só, não basta, e as conquistas dependem da mobilização e da pressão organizadas pelos sindicatos, como a CGT. A ideia é próxima da leitura marxista e do sindicalismo de ação direta, em que direitos se conquistam pela luta coletiva, e não pela concessão espontânea. A cena mostra a luta social como embate entre classes de interesses opostos, no qual a conquista e a aplicação dos direitos dependem da ação coletiva dos trabalhadores.

Assuntos: movimento operário, jornada de trabalho, análise de imagem.

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