Questão H04 da 2ª fase da FUVEST 2012
Não parece fácil determinar a época em que os habitantes da América lusitana, dispersos pela distância, pela dificuldade de comunicação, pela mútua ignorância, pela diversidade, não raro, de interesses locais, começam a sentir-se unidos por vínculos mais fortes do que todos os contrastes ou indiferenças que os separam, e a querer associar esse sentimento ao desejo de emancipação política. No Brasil, as duas aspirações – a da independência e a da unidade – não nascem juntas e, por longo tempo ainda, não caminham de mãos dadas.
Sérgio Buarque de Holanda, “A herança colonial – sua desagregação”.
História geral da civilização brasileira, tomo II, volume 1, 2ª ed., São Paulo: DIFEL, 1965, p. 9.
a) Explique qual a diferença entre as aspirações de “independência” e de “unidade” a que o autor se refere.
b) Indique e caracterize ao menos um acontecimento histórico relacionado a cada uma das aspirações mencionadas no item a).
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Resolução comentada
a) Para Sérgio Buarque de Holanda, "independência" e "unidade" são projetos distintos. A independência é a aspiração de romper o vínculo político com Portugal, isto é, acabar com a condição de colônia e com o domínio da metrópole. A unidade é a aspiração de manter integradas, num só Estado, as diversas regiões da América portuguesa. Essas regiões eram separadas por grandes distâncias, tinham economias voltadas para fora e interesses locais distintos, e não se sentiam parte de uma mesma comunidade.
Por isso o autor diz que as duas ideias "não nascem juntas" e "não caminham de mãos dadas". Era possível querer a separação de Portugal sem querer um país único, como nos movimentos de caráter regional. Também era possível defender a unidade sem defender a ruptura, como no período em que o Brasil foi elevado a Reino Unido.
Independência é a ruptura política com Portugal; unidade é a integração territorial e política das várias regiões da colônia em um único país.
b) Exemplos ligados à independência:
- A Inconfidência Mineira (1789) foi uma conspiração de elites de Minas Gerais, inspirada no Iluminismo e na independência dos EUA. Reagia à derrama e à tributação metropolitana e propunha uma república. Seu projeto era regional, centrado em Minas, e não pensava o Brasil como um todo.
- A Conjuração Baiana (1798) misturou ideais republicanos com demandas sociais de escravizados e pessoas livres pobres.
- A Revolução Pernambucana (1817) proclamou uma república contra o domínio português, mas ficou restrita ao Nordeste.
Exemplo ligado à unidade: a independência de 1822, conduzida por D. Pedro I. Ela manteve unido o território da antiga colônia sob a monarquia, com apoio das elites do Centro-Sul. A unidade foi garantida pela repressão a focos de resistência portuguesa, como na Bahia, no Maranhão e na Cisplatina. A Confederação do Equador (1824) e, no Período Regencial, a Cabanagem, a Farroupilha e a Sabinada ameaçaram a integridade, mas foram reprimidas, e o Estado centralizado se consolidou.
Independência: Inconfidência Mineira (1789), revolta de elites contra a metrópole, com projeto republicano e regional. Unidade: processo de 1822 e a repressão às revoltas regenciais, que mantiveram o território integrado sob o Império.
Assuntos: independência do brasil, inconfidência mineira, unidade territorial.
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