Questão H02 da 2ª fase da FUVEST 2012

3º dia · História

Nos tempos de São Luís [Luís IX], as hordas que surgiam do leste provocaram terror e angústia no mundo cristão. O medo do estrangeiro oprimia novamente as populações. No entanto, a Europa soubera digerir e integrar os saqueadores normandos. Essas invasões tinham tornado menos claras as fronteiras entre o mundo pagão e a cristandade e estimulado o crescimento econômico. A Europa, então terra juvenil, em plena expansão, estendeu-se aos quatro pontos cardeais, alimentando-se, com voracidade, das culturas exteriores. Uma situação muito diferente da de hoje, em que o Velho Continente se entrincheira contra a miséria do mundo para preservar suas riquezas.

Georges Duby. Ano 1000 ano 2000. Na pista de nossos medos. São Paulo: Unesp, 1998, p. 50-51. Adaptado.

a) Justifique a afirmação do autor de que “essas invasões tinham (...) estimulado o crescimento econômico” da Europa cristã.

b) Cite um caso do atual “entrincheiramento” europeu e explique, em que sentido, a Europa quer “preservar suas riquezas”.

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Resolução comentada

a) As invasões normandas (vikings), entre os séculos IX e XI, foram em parte violentas, mas acabaram integrando os povos escandinavos ao mundo cristão. Duby fala em fronteiras "menos claras" entre paganismo e cristandade e em estímulo econômico. Esse estímulo aparece em alguns pontos.

Primeiro, os normandos abriram e ampliaram rotas comerciais no Báltico, no Mar do Norte, na Rússia e no Mediterrâneo, o que reativou o comércio e as cidades. Segundo, os saques e as cobranças de tributos (como o Danegeld) fizeram circular metais preciosos e moeda.

Terceiro, para se defender, a Europa se reorganizou. Surgiram castelos, o fortalecimento da nobreza guerreira e a consolidação do feudalismo. Também se fixaram os normandos na Normandia, na Inglaterra e no sul da Itália, o que integrou novas terras, técnicas de navegação e mão de obra à economia cristã. Essa integração preparou a expansão dos séculos XI a XIII, com o renascimento comercial e urbano e as Cruzadas.

As invasões normandas ampliaram o comércio, a circulação de moeda e a ocupação de terras, e a Europa integrou os invasores, o que estimulou o crescimento econômico.

b) Um caso atual é o controle de imigração. A União Europeia reforça fronteiras e usa a agência Frontex para barrar imigrantes e refugiados da África e do Oriente Médio, que atravessam o Mediterrâneo. Há também o Acordo de Schengen, com restrições e suspensões de livre circulação, e as leis restritivas de vários países, como as da França e da Itália. Os muros e as cercas na fronteira (Ceuta e Melilla, na Espanha) são outro exemplo.

A Europa quer preservar suas riquezas no sentido de manter o alto padrão de vida, o mercado de trabalho e os benefícios do Estado de bem-estar social (saúde, educação, previdência). Teme-se que imigrantes pobres, vindos de regiões marcadas por miséria, guerras e desigualdade, pressionem empregos, salários e serviços públicos. Esse temor é muitas vezes alimentado por discursos xenófobos e por partidos de extrema-direita.

Exemplo: o reforço do controle de fronteiras (Frontex e restrições de Schengen) contra imigrantes. A Europa quer proteger seu padrão de vida, seus empregos e seu bem-estar social da pressão de populações pobres.

Assuntos: invasões normandas, imigração na europa atual, europa medieval.

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