Questão G02 da 2ª fase da FUVEST 2012

3º dia · Geografia

Considere a tabela, que traz dados sobre o equilíbrio federativo brasileiro.

Representatividade político-espacial no Brasil, por Grandes Regiões – 2010

Grandes Regiões Número de estados Habitantes / Senador Habitantes / Deputado Federal
Norte 7 755.450 244.068
Nordeste 9 1.965.998 351.536
Centro-Oeste 3 + DF 3.514.523 342.880
Sudeste 4 6.697.034 448.963
Sul 3 3.042.987 355.673

www.ibge.gov.br e www.tse.jus.br. Acesso em novembro de 2011.

Com base na tabela e em seus conhecimentos,

a) analise a representatividade político-espacial no Brasil;

b) identifique uma consequência da criação de um novo estado para o equilíbrio federativo brasileiro. Explique.

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Resolução comentada

a) No Senado, cada estado tem 3 representantes, seja qual for sua população ou seu tamanho. A bancada de cada região depende, portanto, só do número de estados. Por isso o número de habitantes por senador varia tanto: no Norte, com 7 estados e população pequena, são 755.450 habitantes por senador; no Sudeste, com 4 estados muito populosos, são 6.697.034, quase 9 vezes mais. Os eleitores do Norte têm, assim, muito mais peso no Senado do que os do Sudeste.

Na Câmara dos Deputados, a representação deveria ser proporcional à população, mas há um piso (mínimo de 8 deputados por estado) e um teto (70). Isso gera distorções: o Norte tem 244.068 habitantes por deputado, o menor valor, e o Sudeste, 448.963, o maior. O Sudeste (SP, principalmente, que bate no teto) fica sub-representado, e o Norte, super-representado. Nordeste, Centro-Oeste e Sul ficam em valores intermediários, entre cerca de 340 mil e 356 mil.

Logo, a representação favorece regiões de menor população, o que dá peso político às regiões periféricas, mas fere o princípio de "um cidadão, um voto".

Resposta final: o Senado é igualitário por estado e a Câmara tem piso e teto, então o Norte (menos habitantes por parlamentar) é super-representado e o Sudeste (mais habitantes por parlamentar) é sub-representado.

b) A criação de um novo estado aumenta em 3 o número de senadores e em pelo menos 8 o de deputados federais. Como os estados novos costumam ser pouco populosos (por exemplo, a divisão do Pará, de Carajás e Tapajós, ou do Mato Grosso), ampliaria-se ainda mais a super-representação de regiões de baixa população, em geral Norte e Centro-Oeste, no Congresso. Esse novo estado também passaria a receber parcela do Fundo de Participação dos Estados (FPE), dividido entre os estados, o que reduziria a fatia dos demais.

O resultado seria maior desequilíbrio federativo: a região que ganha o novo estado ganha força política e recursos, e as regiões populosas, como o Sudeste, perdem peso relativo.

Resposta final: a criação de um novo estado amplia o desequilíbrio, pois acrescenta 3 senadores e ao menos 8 deputados a uma região de baixa população, aumentando seu peso político e sua parcela de recursos (FPE) em detrimento das regiões mais populosas.

Assuntos: federalismo brasileiro, representação política, divisão regional do Brasil.

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