Questão G03 da 2ª fase da FUVEST 2011
Observe os gráficos abaixo sobre as exportações brasileiras.

a) Com base no gráfico A e em seus conhecimentos, analise e explique as exportações brasileiras entre 2001 e 2010.
b) Compare as exportações brasileiras para a América Latina/Caribe e para a União Europeia (gráfico B). Explique as diferenças encontradas.
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Resolução comentada
a) O gráfico A mostra que, entre 2001 e 2010, caiu a participação dos manufaturados, de cerca de 58% para pouco mais de 40%. Os básicos/primários subiram de cerca de 26% para cerca de 44%, passando a superar os manufaturados. Os semimanufaturados ficaram quase estáveis, entre 13% e 16%.
Essa mudança tem relação com o forte aumento da demanda e dos preços das commodities (minério de ferro, soja, petróleo, carnes, açúcar), puxado sobretudo pela China e por outros países asiáticos em industrialização acelerada. O Brasil tem vantagens comparativas nesses produtos: grandes reservas minerais, terras agricultáveis e agronegócio competitivo.
Houve também perda de competitividade da indústria nacional. O câmbio valorizado, a carga tributária, a infraestrutura precária e a concorrência de produtos asiáticos pesaram nesse resultado. Além disso, a crise de 2008-2009 reduziu a demanda por manufaturados nos mercados tradicionais. Esse processo é chamado de reprimarização da pauta exportadora.
Resposta: a participação dos manufaturados caiu e a dos básicos subiu, o que caracteriza a reprimarização da pauta, impulsionada pela demanda asiática por commodities e pela perda de competitividade industrial.
b) Para a América Latina/Caribe (cerca de US$ 21 bilhões), predominam amplamente os manufaturados, que chegam a cerca de 80% do total. Os básicos têm peso pequeno, de uns 10%, e os semimanufaturados são quase insignificantes. Para a União Europeia (cerca de US$ 19 bilhões), os básicos são o maior grupo, com cerca de 30%, e os manufaturados ficam em torno de 50%. Já os semimanufaturados somam algo como 20%. O valor total é parecido nos dois casos, mas a composição é bem diferente.
A explicação está no Mercosul e nos acordos regionais. Eles criam um mercado preferencial, com tarifas menores e proximidade geográfica, para bens industriais como automóveis, autopeças, máquinas e eletrodomésticos. Os países vizinhos têm indústria menos competitiva, o que abre espaço para as manufaturas brasileiras.
Na União Europeia, a indústria é avançada e competitiva, e há barreiras e subsídios agrícolas. O Brasil vende ali sobretudo matérias-primas e produtos agrícolas, como soja, café, minérios e suco de laranja, que a Europa precisa importar. Em contrapartida, vende manufaturas em menor proporção.
Resposta: para a América Latina predominam manufaturados, por causa do Mercosul e da proximidade; para a União Europeia pesam mais os básicos e semimanufaturados, pois o Brasil é fornecedor de matérias-primas a uma economia industrial avançada.
Assuntos: exportações brasileiras, reprimarização da pauta, comércio por blocos econômicos.
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