Questão G01 da 2ª fase da FUVEST 2011

3º dia · Geografia

A maior integração da Amazônia Legal à economia brasileira está baseada na estruturação de um sistema de circulação, envolvendo, principalmente, hidrovias e rodovias, conforme esquema abaixo.

Esquema da Amazônia Legal mostrando as conexões logísticas entre centros urbanos: de Porto Velho a Manaus pelo eixo hidroviário A; de Manaus a Santarém e Belém pelo Rio Amazonas; de Belém a DF pela BR 010; de DF a Goiânia passando por Anápolis; de Goiânia à Região Concentrada (S + SE); de Cuiabá à Região Concentrada; de Porto Velho a Cuiabá pela BR 364; e de Cuiabá a Santarém pelo eixo rodoviário B.

Com base nesse esquema e em seus conhecimentos, identifique o eixo

a) hidroviário A e analise sua relação com os mercados interno e externo.

b) rodoviário B e analise a polêmica em torno da pavimentação dessa rodovia, considerando um impacto ambiental e um social.

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Resolução comentada

a) O eixo A liga Porto Velho a Manaus pelo Rio Madeira, a hidrovia do Madeira (afluente da margem direita do Amazonas). Ela é a ligação fluvial entre Rondônia e o Amazonas.

Sua relação com o mercado externo é direta. A soja produzida no norte de Mato Grosso, em Rondônia e no sul do Amazonas chega por rodovia (BR 364) a Porto Velho, segue de barcaça pelo Madeira e pelo Amazonas e é embarcada em navios oceânicos em Itacoatiara (AM) ou nos portos do Pará. Esse caminho reduz o custo do frete em relação ao transporte rodoviário até Santos e Paranaguá, e encurta a rota para a Europa e a América do Norte. Isso torna as commodities mais competitivas.

Quanto ao mercado interno, a hidrovia abastece a Zona Franca de Manaus com insumos e leva os produtos industrializados dali para a Região Concentrada (S + SE), principal mercado consumidor do país. Também leva mercadorias do Centro-Sul para Rondônia e para o Amazonas.

Eixo A: hidrovia do Rio Madeira (Porto Velho–Manaus), que escoa grãos para exportação e integra o Norte ao mercado interno.

b) O eixo B é a BR 163 (Cuiabá–Santarém). Ela liga a área produtora de grãos do Centro-Oeste ao porto de Santarém, no Amazonas/Pará, no Rio Amazonas, permitindo o escoamento da soja para exportação pelo Norte.

A polêmica da pavimentação envolve interesses opostos. Os defensores (agronegócio, governos) destacam a redução do custo do frete e o desenvolvimento regional. Os críticos apontam impactos.

  • Impacto ambiental: a estrada pavimentada facilita o acesso e atrai a expansão da fronteira agrícola, da pecuária e da exploração madeireira ilegal. Isso aumenta o desmatamento e as queimadas ao longo do eixo, ameaça a biodiversidade, fragmenta habitats e altera o ciclo da água e do clima.
  • Impacto social: a valorização das terras estimula a grilagem, a concentração fundiária e os conflitos de terra. Pressiona populações indígenas, ribeirinhos e pequenos agricultores, que podem ser expulsos, e aumenta a migração desordenada, que sobrecarrega as cidades locais.

Eixo B: BR 163 (Cuiabá–Santarém); a pavimentação barateia o escoamento da soja, mas amplia o desmatamento (impacto ambiental) e os conflitos fundiários com indígenas e pequenos produtores (impacto social).

Assuntos: amazônia legal, transportes e logística, impactos ambientais.

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