Questão 5 (1º dia) da 2ª fase da FUVEST 2011
Leia o texto a seguir e responda ao que se pede.
Tem-se discutido muito sobre as funções essenciais da linguagem humana e a hierarquia natural que há entre elas. É fácil observar, por exemplo, que é pela posse e pelo uso da linguagem, falando oralmente ao próximo ou mentalmente a nós mesmos, que conseguimos organizar o nosso pensamento e torná-lo articulado, concatenado e nítido; é assim que, nas crianças, a partir do momento em que, rigorosamente, adquirem o manejo da língua dos adultos e deixam para trás o balbucio e a expressão fragmentada e difusa, surge um novo e repentino vigor de raciocínio, que não só decorre do desenvolvimento do cérebro, mas também da circunstância de que o indivíduo dispõe agora da língua materna, a serviço de todo o seu trabalho de atividade mental. Se se inicia e desenvolve o estudo metódico dos caracteres e aplicações desse novo e preciso instrumento, vai, concomitantemente, aperfeiçoando-se a capacidade de pensar, da mesma sorte que se aperfeiçoa o operário com o domínio e o conhecimento seguro das ferramentas da sua profissão. E é este, e não outro, antes de tudo, o essencial proveito de tal ensino.
J. Mattoso Câmara Jr., Manual de expressão oral e escrita. Adaptado.
a) Transcreva o trecho em que o autor trata da relação da linguagem com o pensamento.
b) Transcreva o trecho em que o autor trata da relação da linguagem com a fisiologia.
c) Segundo o autor, qual é o “essencial proveito” do ensino da língua?
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Resolução comentada
a) A relação entre linguagem e pensamento aparece logo depois de o autor dizer que é "pela posse e pelo uso da linguagem" que organizamos as ideias. O trecho que trata disso é: "é pela posse e pelo uso da linguagem, falando oralmente ao próximo ou mentalmente a nós mesmos, que conseguimos organizar o nosso pensamento e torná-lo articulado, concatenado e nítido". Ele afirma que a linguagem é o meio que organiza o pensamento. Uma transcrição aceitável também pode incluir a passagem sobre as crianças: "surge um novo e repentino vigor de raciocínio [...] da circunstância de que o indivíduo dispõe agora da língua materna, a serviço de todo o seu trabalho de atividade mental".
Resposta: "conseguimos organizar o nosso pensamento e torná-lo articulado, concatenado e nítido", a partir de "é pela posse e pelo uso da linguagem [...]".
b) A fisiologia aparece quando o autor lembra que o vigor de raciocínio das crianças tem duas causas. Uma delas é biológica, o amadurecimento do órgão do pensamento: "não só decorre do desenvolvimento do cérebro". A outra, a posse da língua materna, é a que ele destaca na sequência ("mas também da circunstância de que..."). A relação com a fisiologia está, portanto, na menção ao desenvolvimento do cérebro, que é fator natural, mas não suficiente.
Resposta: "não só decorre do desenvolvimento do cérebro".
c) No final do texto, o autor compara o estudo metódico da língua ao domínio das ferramentas pelo operário: estudar os caracteres e as aplicações da língua, "esse novo e preciso instrumento", aperfeiçoa a capacidade de pensar, assim como o operário se aperfeiçoa conhecendo suas ferramentas. O "essencial proveito" do ensino da língua é, portanto, o aperfeiçoamento da capacidade de pensar, e não apenas a correção ou o ornamento da expressão.
Resposta: aperfeiçoar a capacidade de pensar.
Assuntos: interpretação de texto, linguagem e pensamento.
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