Questão 18 (2º dia) da 2ª fase da FUVEST 2010
O texto (I) e a imagem (II) abaixo foram produzidos por viajantes europeus que estiveram no Brasil na primeira metade do século XIX e procuraram retratar aspectos da sociedade que aqui encontraram.
I: “Como em todas as lojas, o mercador se posta por trás de um balcão voltado para a porta, e é sobre ele que distribui aos bebedores a aguardente chamada cachaça, cujo sabor detestável tem algo de cobre e fumaça.”
Auguste de Saint-Hilaire, 1816.
II:

Indique elementos ou indícios presentes no texto ou na imagem que sinalizem características da época relativas a
a) fontes de energia.
b) processos de industrialização.
c) vida urbana.
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Resolução comentada
a) O texto de Saint-Hilaire fala da cachaça, aguardente de cana, e indica que a produção açucareira abastecia o consumo cotidiano. Nessa época a energia era basicamente humana e animal, e a gravura mostra isso. Escravos carregam cestos e frutas na cabeça, e na rua há animais, como cães. Não aparecem máquinas a vapor nem outras fontes modernas de energia. A força de trabalho escravizada sustentava a economia, e a lenha e o carvão vegetal eram os combustíveis usuais. O "sabor de fumaça" da cachaça lembra a destilação em alambiques movidos a lenha. Apesar disso, o vapor já era a energia da Revolução Industrial na Europa, o que mostra o descompasso do Brasil.
Predominavam a energia humana (trabalho escravo) e a animal, além da lenha, sem máquinas a vapor.
b) A cena não mostra nenhuma fábrica, máquina ou produto industrializado. O comércio vende produtos in natura ou de fabricação artesanal. Pendurados na venda aparecem carnes e fumeiros, há sacos de mercadorias e frutas nos cestos. A cachaça é produzida em engenhos e alambiques de forma artesanal, e a edificação é de construção simples, com madeira, telhas e paredes caiadas. Enquanto a Inglaterra se industrializava, o Brasil permanecia agrário-exportador, escravista e dependente de importações de manufaturados. Isso aparece no predomínio do trabalho manual e na ausência de bens fabricados em série.
Não há sinais de industrialização: predominam o artesanato, os produtos agrícolas e o trabalho manual, numa economia agrária e escravista.
c) A imagem mostra uma vida urbana ainda modesta, centrada no comércio de rua. A venda, ou armazém, é ponto de sociabilidade, e o texto diz que ali o dono serve aguardente sobre o balcão aos fregueses. Na rua circulam vendedoras ambulantes, os negros de ganho, trabalhadores escravizados que vendiam e prestavam serviços para seus senhores. Circulam também pessoas livres, brancas e mestiças, e há animais soltos. O sobrado com sacada, onde uma mulher observa a rua, indica a moradia sobre o comércio. A rua não é pavimentada. Os cães e a pessoa deitada diante da venda sugerem pouca infraestrutura urbana e controle social limitado. A sociedade é hierarquizada e marcada pela escravidão, com convivência de livres, escravizados e libertos no espaço público.
A vida urbana girava em torno do pequeno comércio e das ruas, com escravos de ganho, ambulantes, animais soltos, ruas sem pavimento e sobrados de comércio e moradia.
Assuntos: brasil império, escravidão urbana, revolução industrial.
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