Questão H03 da 2ª fase da FUVEST 2009
A Reforma religiosa do século XVI provocou na Europa mudanças históricas significativas em várias esferas.
Indique transformações decorrentes da Reforma nos âmbitos
a) político e religioso;
b) sócio-econômico.
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Resolução comentada
a) No âmbito religioso, a Reforma rompeu a unidade da cristandade ocidental, até então sob a autoridade do papa. Surgiram as igrejas luterana, calvinista e anglicana, que defendiam a justificação pela fé, o livre exame da Bíblia (traduzida para as línguas nacionais) e o fim da intermediação obrigatória do clero. A Igreja Católica reagiu com a Contrarreforma: Concílio de Trento, Inquisição, Índex de livros proibidos e criação da Companhia de Jesus.
No âmbito político, a ruptura enfraqueceu o poder papal e fortaleceu os Estados nacionais e os príncipes. Na Inglaterra, o Ato de Supremacia (1534) fez do rei chefe da Igreja. No Sacro Império, os príncipes luteranos ganharam autonomia, e a Paz de Augsburgo (1555) fixou o princípio cujus regio, ejus religio. A religião passou a ser instrumento de afirmação política e causa de guerras, como as Guerras de Religião na França e a Guerra dos Trinta Anos. Em muitos casos, o Estado também passou a controlar bens e rendas eclesiásticos.
Religioso: fragmentação do cristianismo ocidental, com surgimento de igrejas protestantes e reação católica (Contrarreforma). Político: enfraquecimento do papado, fortalecimento dos monarcas e príncipes, subordinação da Igreja ao Estado e conflitos político-religiosos.
b) No plano sócio-econômico, o protestantismo, sobretudo o calvinismo, valorizou o trabalho, a poupança e o êxito material como sinais de salvação (predestinação). Isso legitimou moralmente o lucro e a atividade comercial, antes condenados pela Igreja medieval (usura). Max Weber vê aí afinidade com o espírito do capitalismo, favorecendo a burguesia em ascensão.
Além disso, a confiscação e a venda de terras e bens da Igreja, na Inglaterra e em territórios alemães, redistribuíram propriedade e beneficiaram nobres e burgueses. O fim de dias santos e das restrições religiosas ao crédito estimulou o trabalho e os negócios. A leitura da Bíblia também incentivou a alfabetização e a escolarização nas regiões protestantes. Houve ainda tensões sociais, como a Guerra dos Camponeses (1524-25), em que camponeses usaram o discurso reformista para reivindicar mudanças e foram reprimidos por Lutero e pelos príncipes.
Sócio-econômico: legitimação religiosa do lucro e do trabalho, fortalecimento da burguesia e do capitalismo, apropriação de bens eclesiásticos e expansão da alfabetização.
Assuntos: reforma protestante, contrarreforma, capitalismo e burguesia.
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